Foto: Fernanda Chagas
Augusto Aras, procurador-geral da República 21 de outubro de 2019 | 22:24

Aras nega que tenha tratado com Bolsonaro crise com PSL

bahia

O novo procurador-geral da República, o baiano Augusto Aras, negou, na noite desta segunda-feira (21), que tenha tratado sobre a crise interna do PSL durante reunião com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) antes de sua viagem ao Japão. “De hipótese alguma, a minha conversa foi o retorno de Roma, uma visita de cortesia para agradecer o convite de integrar a comitiva oficial, embora eu não tenha aceitado que me fosse custeadas as despesas de minha viagem. Eu paguei as despesas minhas e de minha esposa”.

Questionado pelo Política Livre sobre sua opinião em relação à disputa de poder entre Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, Aras foi taxativo: “isso é uma questão partidária”. “Só o presidente pode falar sobre ela e o seu grupo. O procurador-geral não pode cuidar de um assunto partidário. Ele pode falar sobre o sistema eleitoral, sistema partidário, mas não de uma crise ou situação de um determinado partido”, completou.

Presente na cerimônia dos 50 anos do jornal Tribuna da Bahia, Aras reafirmou que todas as operações em curso na Procuradoria-Geral da República terão continuidade e disse que jamais afirmou que não aceitaria novas delações, conforme noticiado na imprensa. “A Lava Jato nunca vai estar ameaçada porque o Ministério Público também estaria ameaçado (…). No sistema acusatório brasileiro existe um órgão constitucionalmente disciplinado e com garantias, prerrogativas de direitos e deveres pra cuidar exatamente não somente da acusação, mas também pra atuar como fiscal da Lei em todas as instâncias significa que a Lava Jato é mais uma das operações em curso dentre tantas. Todas elas vão continuar em curso”, disse Aras que voltou a repetir a importância da liberdade de imprensa no país. “Onde não há liberdade de expressão não há democracia ao menos no seu conteúdo substancial. Pode haver o nome de democracia, um simulacro de democracia, mas sem imprensa livre, sem liberdade de expressão, de pensamento, manifestação, não há democracia.

Aras aproveitou também para fazer uma avaliação sobre seus primeiros dias como PGR. “Estamos ainda em fase de transição, as dificuldades existem porque se trata de uma instituição que tem 45 mil servidores, 3 mil membros e ainda existe um Conselho Nacional do Ministério Público”, disse ao Política Livre minimizando a saída de alguns procuradores em represália à escolha de seu nome fora da lista tríplice. “Apenas dois procuradores desistiram de se candidatar porque não eram ocupantes de cargos. Então é muito fácil desistir do que se não tem”.

Assembleia
Sobre os serviços prestados pelo escritório na Bahia, na qual foi sócio até assumir a PGR, na causa dos servidores da Assembleia Legislativa da Bahia nos planos de cargo e carreira, o novo PGR admitiu a atuação por mais de 25 anos, mas reiterou que nenhum dinheiro público foi recebido. Portanto, segundo Aras, não teria “respaldo” o questionamento de alguns deputados sobre supostas grandes quantias recebidas de honorários e nem do governador Rui Costa que estaria estudando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para seu cancelamento. “Nenhum direito público recebeu. O escritório renunciou a 100% dos honorários advocatícios a que tinha direito. Então, os servidores que fizeram o acordo com renúncia de até 70% dos seus direitos pra receber até em 16 anos é que estão pagando aos escritórios. São três escritórios, não é apenas um”.

Fernanda Chagas e Raiane Veríssimo
Comentários