Foto: Dida Sampaio/Estadão
O presidente do PSL, Luciano Bivar 09 de outubro de 2019 | 12:00

PSL tenta colocar panos quentes em racha, mas não pacifica alas descontentes

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Deputados do PSL começaram um movimento de colocar panos quentes no racha deflagrado após a crítica pública do presidente Jair Bolsonaro ao partido. A bancada, no entanto, segue em conflito. Os parlamentares fizeram uma longa reunião na noite desta terça-feira (8). De lá, saíram com um “pacto de silêncio”. Segundo deputados ouvidos pela Folha, houve um acordo para que não se falasse publicamente, à imprensa ou nas redes sociais sobre o que foi discutido na sala da liderança do partido na Câmara.

Nesta terça-feira, Bolsonaro afirmou a um apoiador para esquecer o PSL e disse que o presidente do partido, Luciano Bivar (PE), está “queimado para caramba” em seu estado. Nas últimas semanas, o presidente tem avaliado a possibilidade de deixar o PSL e se filiar a uma outra sigla pequena ou a um partido em formação. Na segunda (7), Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto a advogada Karina Kufa, que está em embate interno dentro do PSL contra o grupo de Bivar.

A declaração do presidente gerou reação forte de líderes da legenda. O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do partido na Câmara, afirmou que o PSL foi pego de calças curtas e que estava perplexo. O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), disse à revista Época que o “quintal de Bolsonaro também está sujo”, em referência à investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, investigado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa —os crimes supostamente praticados estão ligados ao gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Na Câmara, os deputados que se pronunciaram adotaram tom apaziguador. Coronel Tadeu (SP) afirmou que a bancada está pacificada e que não há discussão sobre o assunto. Delegado Waldir (GO), líder do PSL na Casa, chegou a afirmar que o partido é “100% Bolsonaro e 100% Bivar”. Nelson Barbudo (MT) saiu da sala dizendo que não queria ser abordado pela imprensa e brincou fingindo não conseguir falar. Os parlamentares seguiram para jantar com o ministro da Justiça, Sergio Moro, em encontro sobre o pacote anticrime patrocinado por ele.

O presidente da legenda, porém, não foi ao encontro, que, por outro lado, contou com a presença de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Os dois representam grupos opostos do PSL, um mais ligado à sigla e outro mais ligado ao próprio presidente. Apesar da tentativa de pacificar a legenda, parlamentares ainda demonstram insatisfação com a fala do presidente e também com a reação do partido de abafar o caso.

Segundo um deputado que participou da reunião, os congressistas adotaram postura pró-Bolsonaro por causa da presença de Eduardo e reclamou que, na presença de Bivar, o discurso era o oposto, o que demonstraria falta de lealdade dos correligionários. Após a reunião, Delegado Waldir minimizou o desconforto entre Bolsonaro e Bivar e afirmou que este último está “tranquilíssimo” e disse que será marcado um encontro entre a bancada e o presidente para “aparar as arestas”. Já o deputado pernambucano evitou circular nas dependências da Câmara durante todo o dia, não compareceu à reunião e não quis comentar as críticas.

Folha de S.Paulo
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