Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados
Carla Zambelli 13 de novembro de 2019 | 06:47

Com saída de Bolsonaro, PSL acelera ofensiva contra aliados do presidente

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No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro confirmou sua saída do PSL para criar o partido Aliança pelo Brasil, o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE), deu início a uma ofensiva contra o movimento do antigo aliado.

Em reuniões nos últimos dias, a cúpula do PSL decidiu acelerar os processos de suspensão de 19 deputados, entre os quais o atual líder na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP).

Bolsonaro tornou pública sua decisão de deixar o partido pelo qual se elegeu nesta terça-feira (12) em redes sociais, após reunião com deputados aliados. A agremiação a ser fundada será a nona de sua carreira política.

“Hoje anunciei minha saída do PSL e início da criação de um novo partido: Aliança pelo Brasil”, escreveu o presidente. “Agradeço a todos que colaboraram comigo no PSL e que foram parceiros nas eleições de 2018.”

A saída do presidente do PSL acontece na esteira de denúncias sobre o esquema de candidaturas de laranjas nas eleições de 2018, revelado pela Folha em fevereiro.

O racha no partido ficou evidente em outubro, quando Bolsonaro disse que Bivar está “queimado pra caramba”. A legenda tem a segunda maior bancada da Câmara, com 53 deputados.

O anúncio se dá também após a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), visto como seu principal opositor.

Numa tentativa de demonstrar que, mesmo diante de uma briga com o chefe do Executivo, o PSL mantém força política, a ideia do grupo Bivar é a de suspender o filho do presidente das atividades partidárias na próxima semana.

Em seguida, essa ala pretende apresentar uma nova lista à Mesa Diretora da Câmara para reassumir o comando do partido na Casa.

A avaliação de Bivar e seus aliados é a de que, como o novo partido de Bolsonaro ainda não existe e levará um tempo para sair do papel, os deputados serão obrigados a se agarrar ao PSL.

Eles lembram que os congressistas precisam de respaldo e de uma estrutura partidária para que seus mandatos tenham representatividade na Câmara.

Nesse cenário, os chamados bivaristas apostam que é possível formar uma nova maioria para retomar a liderança do PSL.

Segundo congressistas que participaram do encontro com Bolsonaro nesta terça, no Palácio do Planalto, o presidente ficará sem partido até que a Aliança Pelo Brasil seja aprovada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A expectativa do grupo de Bolsonaro é viabilizar o partido até março de 2020, a tempo de lançar candidatos às eleições municipais.

São necessárias 500 mil assinaturas, em pelo menos nove estados, para que a criação de uma agremiação comece a ser analisada pelo TSE. A lista deve ser apresentada no momento em que é protocolado o pedido de registro na corte.

A equipe jurídica que auxilia o clã Bolsonaro pretende lançar um aplicativo e investir nas redes sociais para acelerar a coleta de assinaturas. O ex-ministro do TSE Admar Gonzaga e a advogada Karina Kufa estão à frente da empreitada.

Folha de S.Paulo
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