Foto: Reprodução Facebook
Governador Rui Costa 28 de novembro de 2019 | 07:19

Esperando o governador Rui Costa, por Raul Monteiro*

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Partido que viabilizou a eleição de Rui Costa ao governo e, antes dele, a do hoje senador Jaques Wagner, o PT parece não estar sendo tratado na Bahia com a reciprocidade devida por suas principais lideranças. A pouca importância dada às novas aspirações partidárias para 2020 em Salvador, capital do Estado, portanto uma cidade que deveria ser tratada como prioritária pela legenda e seus principais dirigentes, é um sinal de como o petismo baiano parece, aos olhos daqueles que projetou para a posição política mais importante do Estado, ter importância praticamente nula no jogo sucessório municipal. Mas não é o único.

E nem sempre foi assim. Depois de ter chegado ao Palácio de Ondina, Wagner, por exemplo, patrocinou em duas eleições municipais diferentes candidatos do partido que, apesar de então serem lideranças no município, não tiveram votos ou a competência necessária para usar seu apoio e o do lulopetismo no plano nacional para alavancar seus nomes e ganhar as disputas. Zero culpa do governador da época, portanto, que foi obrigado a ver ascender e solidificar sob os olhos e os das lideranças nacionais da agremiação, Lula entre elas, a figura do prefeito democrata ACM Neto, agora seu virtual oponente em 2022.

Sob Rui, no entanto, o jogo já começou em desvantagem para a legenda na primeira eleição disputada em Salvador após sua vitória ao governo. Nela, o PT sequer apresentou candidato, tendo que sair à reboque da candidatura comunista de Alice Portugal, a qual, aliás, nunca foi a sua preferida para a tarefa, como deixaria claro na campanha. Agora, mais uma vez, se não insistir na tese de candidatura própria, o partido corre de novo o risco de ficar de fora do jogo em favor de um nome qualquer ou de ser transformado em barriga de aluguel, como se não fosse a legenda que deu régua e compasso para dois governadores de Estado na Bahia.

Pelo visto, Rui passou batido com relação à lição que Wagner deu, particularmente a ele, mas também a todo o mundo político, ao iniciar uma engenharia para transformá-lo em candidato com praticamente quatro anos de antecedência, num processo que envolveu desde o seu preparo administrativo até a superação de inúmeras resistências, principalmente de aliados, conduzindo-o até a vitória final. Será que a exemplo do, digamos, pendor para a vitória, que Wagner percebera nele, Rui não conseguiu identificar ninguém no PT que pudesse igualmente projetar para a Prefeitura de Salvador?

Será que nunca passou pela cabeça do governador fazer ascender um talento sequer na legenda? Ninguém qualificado em cuja liderança investir no próprio partido? Nenhum representante genuinamente negro, desafiante declarado da profunda desigualdade desta cidade – um vereador como Moisés Rocha ou um quadro da qualidade da senhora Vilma Reis, por exemplo – aos quais pudesse dedicar uma partícula de tanta “correria” para ajudar a fortalecer e a engrandecer o PT de Salvador, retribuindo a inestimável colaboração que recebeu do partido e de Wagner para chegar aonde chegou? Com a palavra – ou com os atos – o próprio Rui!

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*
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