Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Reunião de líderes e representantes de agrupações e partidos de esquerda, acontece nos próximos dias 8, 9 e 10 de novembro 02 de novembro de 2019 | 20:04

Fernández receberá Dilma, Haddad e Mujica em encontro internacional da esquerda

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O presidente eleito da Argentina, o peronista Alberto Fernández, será o anfitrião do segundo encontro do Grupo de Puebla, uma reunião de líderes e representantes de agrupações e partidos de esquerda, nos próximos dias 8, 9 e 10 de novembro, em Buenos Aires.

Estão na lista de convidados os ex-mandatários José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), José “Pepe” Mujica (Uruguai), Dilma Rousseff (Brasil), Ernesto Samper (Colômbia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai).

Entre as outras lideranças, estão Cuauhtemóc Cárdenas, fundador do mais tradicional partido de esquerda do México (o PRD) e filho do célebre Lázaro Cárdenas (1895-1970), Álvaro García Linera, vice-presidente da Bolívia, Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, e o chileno Marco Enríquez-Ominami, ex-candidato a presidente e um dos fundadores do Grupo de Puebla.

O primeiro encontro dessa nova aliança foi realizado em julho passado, na cidade de Puebla, no México, com a intenção de “abrir um espaço de reflexão e de intercâmbio político na América Latina”, segundo seu documento de fundação, que ainda fala em formular uma proposta progressista para “conter o avanço da direita conservadora”.

De acordo com Enríquez-Ominami, um dos fundadores do grupo, o segundo encontro debaterá “um novo projeto comum” com relação a como tratar a crise venezuelana, de uma forma alternativa ao modo como o Grupo de Lima (reunião de 14 países das Américas para discutir a crise no país caribenho) vem atuando.

A equipe de transição argentina confirma que o país deve tomar uma atitude diferente após a posse de Fernández, em 10 de dezembro. Será mais pró-diálogo e anti-sanções e não reconhecerá o líder opositor, Juan Guaidó, como presidente encarregado do país.

Em setembro, o Grupo de Puebla lançou um comunicado que pedia a “rejeição de qualquer tentativa de uso da força que rompa o princípio de solução pacífica das controvérsias e que possibilite uma intervenção militar na Venezuela por parte de forças estrangeiras, incluído o acionar do Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca), um instrumento arcaico para intervenções militares em países da América Latina durante a Guerra Fria”.

Enríquez-Ominami diz que o grupo tem a intenção de “fazer com que se respeitem a soberania popular e a autodeterminação dos povos”. Nesse sentido, o chileno afirma que o encontro em Buenos Aires ocorre num bom momento porque poderá discutir os distúrbios e as eleições recentes na América Latina.

Sobre a Bolívia, por exemplo, o chileno defende que se reconheça que Evo Morales foi eleito legalmente para um novo mandato, apesar do resultado amplamente rejeitado pela oposição. Sobre o Equador, segundo ele, “é necessário que se respeite o Estado de Direito”, em relação ao diálogo com os indígenas que se rebelaram contra políticas de ajuste do governo de Lenín Moreno. ​

Enríquez-Ominami acredita, ainda, que, em meio aos protestos que ocupam as ruas do Chile, é preciso pedir ao presidente de centro-direita, Sebastián Piñera, que convoque uma nova Assembleia Constituinte para substituir a Carta em vigor, que é da época da ditadura militar (1973-1990).

“A promessa dos projetos neoliberais que chegaram ao poder na região nos últimos tempos era apenas a de chegar mais rápido aos lugares. Nós dizemos que queremos chegar mais longe”, afirmou.

Folha de S. Paulo
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