Foto: Josué Damacena/Divulgação
24 de março de 2020 | 10:22

Simulação em outubro previu despreparo de países para pandemia

mundo

Apenas dois meses antes de surgirem na China os primeiros casos de covid-19, um painel se reuniu em Nova York para debater como o mundo deveria preparar-se para uma pandemia de… coronavírus.

O encontro foi organizado pela Universidade Johns Hopkins (EUA), que está na elite da pesquisa biomédica mundial. Seu Centro para Segurança de Saúde, em parceria com o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates, reuniu os principais atores: empresas farmacêuticas, aéreas, de turismo, finanças e logística, autoridades sanitárias dos EUA e da China, ONU etc.

Havia até uma pandemia fictícia, descrita em vídeo, para esquentar o debate. Um canal de notícias inventado, GNN, descrevia o cenário pavoroso: 10 milhões de mortos em três meses, escalando para 65 milhões em 18 meses; recuo de 25% a 40% nas bolsas; queda de 11% no PIB mundial; caos social.

Adeptos de teorias de conspiração denunciam que não se trata de coincidência. No mesmo dia do simpósio Evento 201, começaram em Wuhan os Jogos Mundiais Militares –ponto de origem do terrorismo biológico iniciado pelos EUA, na versão que ora se espalha pela China.

Não é a primeira explicação paranoica para o surto de Sars-CoV-2. A anterior punha a culpa, desta vez, na própria China, que teria desenvolvido em Wuhan um novo vírus para pôr o mundo de joelhos e quebrar a hegemonia dos EUA –como, de resto, estaria previsto num best seller de 1981 de Dean Koontz.

O fato é que Koontz mudou o nome do vírus. Na edição original, ele se chamava Gorki-400 e só se tornou Wuhan-400 depois do colapso da União Soviética. Também a suposta previsão da Johns Hopkins não bate com o coronavírus que grassa hoje pelo mundo.

Na fábula de outubro, ele se chamava Caps, da abreviação em inglês para Síndrome Pulmonar Associada a Coronavírus. Verdade que se dizia ser capaz de causar sintomas gripais leves e, em alguns casos, pneumonia grave. Mas o vírus partira de porcos do Brasil, e se previam 450 mil casos e 26 mil mortes em um mês; com o CoV-2, ainda são 370 mil infectados e 16 mil mortos quase três meses após o surto inicial –em Wuhan.

Mais importante que o balanço de coincidências e discrepâncias entre o exercício Evento 201 e a pandemia de covid-19 é a conclusão do simpósio: o mundo todo, e os governos em particular, estavam e estão despreparados.

“Estamos nós, como comunidade global, prontos para o trabalho duro necessário para a próxima pandemia?” É o que pergunta a locutora ao final do vídeo: “Precisava ser tão ruim assim?”​

Folha de S.Paulo
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