Foto: Marlene Bergamo/Folhapress
Marta Arretche 23 de maio de 2020 | 13:30

Brasil escolheu incluir pobres sem tocar em privilégios da elite, diz Marta Arretche

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A convidada desta semana do Ilustríssima Conversa é Marta Arretche, professora titular do Departamento de Ciência Política da USP e diretora do Centro de Estudos da Metrópole.

Arretche organizou, com Eduardo Marques e Carlos Aurélio Pimenta de Faria, o livro “As Políticas da Política: Desigualdade e Inclusão nos Governos do PSDB e do PT” (Editora Unesp).

A coletânea, com 16 capítulos de especialistas e pesquisadores, faz um balanço das políticas sociais implementadas ao longo dos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT) que, com base em princípios de garantia de direitos e de distribuição de renda da Constituição de 1988, contribuíram para a redução das desigualdades no país e a ampliação do acesso a serviços públicos, como educação e saúde.As análises da obra apontam, por outro lado, para problemas históricos que não foram enfrentados ao longo da Nova República, como a regressividade do sistema tributário do Brasil, que faz com que ricos paguem, proporcionalmente, menos impostos que os mais pobres.

Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, a pesquisadora discutiu a combinação brasileira particular de programas sociais progressistas e política tributária regressiva e discutiu as continuidades de medidas de governo entre as presidências do PSDB e do PT.

Arretche também tratou do teto de gastos aprovado na gestão de Michel Temer (MDB) e das perspectivas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em meio à pandemia de coronavírus.

Para a pequisadora, a agenda do presidente é de desmonte das políticas sociais existentes, mas a formulação de medidas eficazes poderia frear o crescimento da pobreza e da desigualdade. A resposta errática e insuficiente do governo federal à crise atual, no entanto, deve fazer o país pagar muito caro, em sua avaliação.

Folha de S.Paulo
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