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O prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa, que deveriam ser os principais protagonistas da sucessão em Salvador 30 de julho de 2020 | 08:46

Com batalhão de 900 candidatos a vereador, Neto faz inveja a time de Rui, por Raul Monteiro*

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Cansados de alertar o governo para a falta que uma articulação política faz com relação à estratégia do grupo para a sucessão municipal de Salvador, líderes partidários e pré-candidatos a prefeito alinhados ao governador Rui Costa (PT) chegam aos últimos meses da pré-campanha sob frustração e desânimo. Eles não conseguem aceitar, por exemplo, que, enquanto a turma do prefeito ACM Neto (DEM) monta uma chapa com 900 candidatos a vereador para disputar as 43 vagas na Câmara mais antiga do Brasil, na base do governador, pelo visto, os nomes não chegarão a mais do que 200.

Num contexto desses, não se furtam em comentar com jornalistas que, sob a atual conjuntura, vão, aos poucos, achando, embora não impossível, cada vez mais distante a vitória contra o pré-candidato do prefeito, Bruno Reis (DEM). Uma das provas que oferecem para o cenário nebuloso em seu campo é a recente reviravolta na pré-campanha da deputada estadual Olívia Santana, do PCdoB, para cuja vice o PP não sabe mais se indica o deputado estadual Niltinho, como inicialmente prometido, ou coloca uma figura de menos expressão política como sua companheira de chapa.

Mesmo alguns petistas se queixam do quadro. Alegam, por exemplo, que o ‘balanço’ na campanha de Olívia poderia se tornar uma oportunidade de ouro para o governador entrar em campo e forçá-la a desistir para apoiar a major Denice Santiago, pré-candidata do PT. Escolhida por Rui para representar seu partido na disputa, Denice, tal qual Olívia, figura valorosa e determinada, poderia se beneficiar com uma eventual indicação da parlamentar para sua vice, ainda aberta, como, de resto, de todos os demais pré-candidatos. Mas eles não vêem qualquer movimento. Em qualquer direção.

Nem acreditam que poderá acontecer. Para a maioria, excetuando-se os caciques locais do PT, diretamente ligados ao governador, não há perspectiva de que surja ninguém no espaço, com autoridade, para organizar o combate. De ouvir dizer, eles sabem apenas que Rui gostaria de assistir, dos sete candidatos colocados em seu campo, apenas dois, incluída, naturalmente, sua preferida, Denice, concorrendo, desde que o segundo nome seja competitivo o suficiente para, sem ofuscar Denice, ajudá-la a empurrar a disputa para o segundo turno. A maneira como os demais candidatos são tratados por ele, entretanto, não dá pista sobre o que está para ocorrer.

A esperança de que o senador Jaques Wagner (PT), político reconhecidamente competente e respeitado por todos eles, assumisse o papel de coordenador da campanha tanto na capital quanto no interior também foi sendo substituída, com o passar do tempo, pela certeza de que o melhor é cada um trabalhar por si e ver até onde pode chegar, esperando o que alguns chegam a aludir como a um milagre, em meio a uma pandemia que contribuiu para desarticular ainda mais a todos. Bom, mas como política muda como nuvem, daqui a pouco um Santo ou Santa, aproveitando-se do sincretismo, baixa no terreiro, e resolve tudo.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*
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