Foto: Wilton Júnior/Estadão/Arquivo
BNDES 01 de agosto de 2020 | 18:40

Empresa ligada a conselheiro ganha contratos do BNDES

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, entre dezembro de 2019 e fevereiro deste ano, três contratos de consultoria com o grupo G5 Partners Consultoria e Participações, no valor total de R$ 9,7 milhões, para fazer a modelagem de privatizações ou venda de participação em estatais que o governo Jair Bolsonaro planeja realizar. O vencedor dos pregões eletrônicos tinha como um dos seus controladores, até novembro, Marcelo Serfaty, presidente do Conselho de Administração do BNDES.

O empresário continua vinculado ao grupo, mas como sócio da G5 Gestora de Recursos, empresa que pertence ao mesmo conglomerado. Documentos aos quais o Estadão teve acesso mostram que o Comitê de Integridade do banco alertou sobre eventual conflito de interesses e pediu que o vínculo fosse analisado pelo Comitê de Ética da instituição, o que não ocorreu.

A G5 Partners ganhou a licitação para dar consultoria na privatização/participação dos aeroportos de Guarulhos, Galeão, Brasília e Confins no dia 4 de dezembro de 2019; da Casa da Moeda em 22 de janeiro deste ano; e da Ceagesp e Ceasa Minas em 21 de fevereiro. Quando ingressou no BNDES, Serfaty tinha ciência de que a empresa disputava os pregões da Casa da Moeda e da Infraero, uma vez que ele ainda constava como sócio no momento em que os processos foram iniciados. Segundo a Junta Comercial de São Paulo, ele só deixou a G5 Partners sete dias após tomar posse no BNDES, em 20 de novembro.

No anúncio do pregão dos aeroportos, Serfaty integrava também o quadro acionário de uma segunda empresa do grupo G5 Partners, a G5 Tecnologia de Segurança e Participações. Ele deixou essa sociedade em 10 de janeiro deste ano. Atualmente, ele tem 50% da G5 Gestora de Recursos. De acordo com documentos oficiais, a firma é administrada pela G5 Partners, a empresa que venceu as licitações do BNDES.

Em relatório de análise da nomeação do empresário para o conselho administrativo do BNDES, apresentado à diretoria do banco no dia 1.º de novembro do ano passado, o Comitê de Integridade da instituição destacou que Serfaty era sócio-fundador da área de Private Equity da G5 Partners e detinha participação de 50% na G5 Gestora de Recursos. “É de relevo ademais destacar que, no tocante à G5 Gestora de Recursos, o indicado, que detém metade do capital social, permanecerá no comitê de investimento da sociedade”, afirma o relatório.

“Apesar de não haver concorrência direta entre as instituições e o Sistema BNDES, o papel relevante desse último na economia aponta para um potencial conflito de interesses, especialmente em decorrência da atuação da BNDESPar”, registrou ainda o documento.

Na ocasião, o comitê orientou para que, caso a Assembleia-Geral do BNDES decidisse nomear o empresário como integrante do conselho, “os conflitos ora apontados” fossem levados ao Comitê de Ética do BNDES para se avaliar “eventuais recomendações acerca das situações de conflito que julgar necessárias”.

O Comitê de Ética do BNDES afirmou não ter competência para realizar análises sobre conflitos de interesse em potencial. A questão, informou, foi encaminhada à Controladoria-Geral da União (CGU).

As informações são do jornal Estado de S.Paulo.

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