Foto: Marcos Corrêa/PR
08 de agosto de 2020 | 16:20

‘Sem uma palavra de conforto’, diz Mandetta sobre Bolsonaro após país atingir 100 mil mortes por Covid-19

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Após ser demitido em abril do cargo de chefe do Ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) passou a criticar a atuação do Governo Federal durante a pandemia do novo coronavírus.

O cardiologista lembrou, em entrevista ao podcast Ao Ponto, do site O Globo, do que foi feito pela pasta da Saúde desde que os primeiros casos foram contabilizados em território nacional e não poupou a atual gestão.

“Mas o falso dilema de que a economia não pode parar, de que as pessoas precisam circular, faz com que o vírus ganhe força para continuar, uma epidemia mais longa, um platô mais distanciado que, no caso brasileiro, são 1.100, 1.200 óbitos por dia já há 70 dias”, disse Mandetta.

“Nós pregávamos o modelo de ser mais duro que o vírus e enfrentá-lo com o apoio da sociedade. Mas tivemos uma outra visão do presidente da República, que não queria esse modelo. Então vieram as mudanças no ministério, e governadores e prefeitos tiveram que enfrentar sozinhos a doença nas suas respectivas cidades”, ressaltou.

O ex-ministro lembrou também que tinha respaldo no Ministério até meados de março, quando a relação azedou de vez com Bolsonaro, após uma reunião de Jair com o presidente americano Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.

“Não resta dúvida de que o Governo Trump influencia o governo Bolsonaro. Foi a partir daquele momento, após a reunião, que Trump passou a usar [o termo] vírus chinês. Eduardo Bolsonaro atacou a China. A estratégia era pôr a culpa no país de origem”.

“A China se posicionou duramente e ameaçou retaliar. Ambos pararam de atacar a China e passaram a atacar a Organização Mundial da Saúde. Ambos começaram a desfilar com a cloroquina”, afirmou.

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