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Com toda a certeza, a major de vida e carreira exemplar na PM não merecia o que Rui está fazendo com ela 15 de setembro de 2020 | 11:19

Com apenas o PSB na campanha de Denice, Rui Costa comprova que está só

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Alguém, com coragem e de preferência de bom coração, precisa chamar Rui Costa num canto e avisar-lhe de que, ainda que esteja na posição de governador da Bahia, ele não pode dispor da vida das pessoas como bem entende, exatamente do jeito que está fazendo com a major Denice Santiago.

Usar sua influência para tirar uma mulher decente, correta e do bem – como está à vista de todos – de sua vida e bem sucedida carreira profissional para colocar-lhe neste esparro em que ele a meteu só para satisfazer seu ego de ter uma candidata à Prefeitura que possa chamar de sua está muito além do razoável.

Não se justifica que, a um dia da convenção em que Denice será oficializada candidata a prefeita pelo PT, sigla de Rui, o único partido que o governador tenha conseguido atrair para dar apoio a ela seja o PSB, num movimento que, longe de evidenciar algum avanço, acaba por demonstrar toda a sua fragilidade.

Primeiro, porque o PSB não tem capilaridade em Salvador suficiente para alavancar Denice em nada. Segundo, porque sua provável vice, a excelente deputada estadual Fabíola Mansur, com todo o respeito que lhe é merecido, está longe de, sozinha, conseguir dar o up necessário à chapa.

Tivesse fé no PSB como legenda capaz de eleger alguém, Fabíola, aliás, não permitiria que um dos seus principais assessores, lotado em seu gabinete, inclusive, tivesse, para concorrer a vereador de Salvador, decidido se filiar ao PTB, um dos 15 partidos que dão apoio à Prefeitura ao candidato Bruno Reis, do DEM.

Mas quantos são os partidos da base de um governo liderado por Rui e quantos estão com Denice, quando não apoiando abertamente outros candidatos do grupo que, pelos prognósticos mais primários, apontam para a possibilidade de superá-la na corrida contra o candidato do prefeito ACM Neto?

No PT, já se fala abertamente que, convencido de que a escolha eleitoral de Rui para Salvador foi ela toda um equívoco, o senador Jaques Wagner estaria apostando no fortalecimento do deputado federal Pastor Sargento Isidório, do Avante, como opção mais forte para o enfrentamento ao democrata.

Em outras palavras, teria deixado o pepino no colo de Rui. Seriam, aliás, as declarações de Wagner hoje, numa entrevista a Mário Kertész, da Metrópole, criticando o “preconceito” contra Isidório, um sinal de que, ele sente muito, mas não está disposto a absorver o eventual impacto da derrota de Denice?

Se não são bons para a candidata do PT, uma grande mulher, envolvida nesta trama de boa vontade, sem negociar absolutamente nenhuma vantagem para si própria, os prognósticos são muito piores para o governador do ponto de vista político. A descortesia que lhe fez o vice-governador João Leão (PP), no último sábado, foi um aviso.

Anfitrião de Rui na convenção em que o PP oficializou a aliança com a deputada estadual Olívia Santana, do PCdoB, como postulante à Prefeitura, Leão disse, com todas as letras, do microfone, que lamentava informar a Rui que a sua candidata e do PT iria perder a eleição. Não foi apenas uma previsão.

Foi o reflexo da solidão em que, por vontade própria, o governador se enredou por, como Jair Bolsonaro, não aceitar a negociação política.

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