Foto: Shealah Craighead/Official White House
Presidente dos EUA, Donald Trump 10 de janeiro de 2021 | 08:38

Apple retira de sua loja aplicativo Parler, que atraiu apoiadores de Trump

interior

Após o atual presidente dos EUA, Donald Trump, ser banido permanentemente do Twitter e ao menos até a posse de Joe Biden do Facebok e do Instagram, seus apoiadores buscaram uma alternativa às redes sociais e encontraram no aplicativo Parler o seu lugar.

A plataforma que se diz opção de “discurso livre” por não ter moderação de conteúdo, no entanto, foi removida das lojas de aplicativo da Apple neste sábado (9), após o Google já ter feito o mesmo nesta sexta-feira (8), ao menos até que o Parler passe a adotar critérios para excluir publicações.

A Amazon também suspendeu o Parler de sua unidade Amazon Web Services (AWS), por violar os termos de serviço ao deixar de lidar com um aumento constante de conteúdo violento, de acordo com um e-mail enviado por uma equipe de confiança e segurança da AWS para o Parler.

A medida da Amazon efetivamente tira o site do aplicativo do ar, a menos que ele encontre uma nova empresa para hospedar seus serviços.

A Apple justificou sua decisão em carta à rede social, afirmando que “as medidas descritas são inadequadas para lidar com a proliferação de conteúdo perigoso e questionável” no aplicativo. “Parler não sustentou seu comprometimento em moderar e remover conteúdo prejudicial ou danoso, encorajando violência e atividade ilegal e não está de acordo com as regras da App Store.”

A empresa havia dado 24 horas para que a rede social detalhasse seu plano de moderação, apontando usuários que usaram a plataforma para coordenar a invasão ao Capitólio, na última quarta (6).

O texto conclui que o aplicativo está suspenso da loja até que a Apple receba uma atualização do comprometimento com as diretries da App Store.

Segundo a agência de notícias Reuters, o diretor-executivo do Parler, John Matze, afirmou que a Apple estava banindo o serviço até que plataforma desista da liberdade de expressão e institua “políticas amplas e invasivas como o Twitter e o Facebook”.

“Eles alegam que é devido à violência na plataforma. A comunidade discorda, pois alcançamos o número 1 [entre aplicativos gratuitos para iPhone] na loja hoje [sábado]”, publicou Matze no Parler, de acordo com a Reuters. “Mais detalhes dos nossos próximos planos virão em breve, já que temos muitas opções.”

“Há a possibilidade de o Parler ficar indisponível na Internet por até uma semana enquanto reconstruímos do zero”, disse ele em um post na rede social.

O movimento de migração do Twitter e do Facebook não começou apenas após o banimento do atual presidente. Segundo o jornal americano The New York Times, o Parler se tornou um dos aplicativos de crescimento mais rápido nos últimos meses com a procura de milhões de apoiadores de Trump após as plataformas começarem a marcar o conteúdo do republicano como contendo desinformação ou incitando violência.

O boom veio neste sábado, quando o aplicativo se tornou o número 1 entre ferramentas gratuitas para iPhones na loja da Apple. A remoção das lojas de duas empresas líderes no setor limitam seriamente a habilidade do Parler de encontrar novos usuários e coloca o futuro da plataforma em dúvida.

“Isso é muito grande”, afirmou Amy Peikoff, chefe de Política do Parler, à Fox News nesta sexta, quando a Apple ameaçou a remoção pela primeira vez. Sem acesso à App Store, ela disse que “estamos fritos”.

Mais cedo neste sábado, Matze afirmou em uma mensagem de texto à reportagem do New York Times que o Twitter recentemente classificou a frase “enforque Mike Pence” como assunto do momento. A maior parte da discussão na rede social, porém, era sobre os invasores do Congresso americano entoando a frase na quarta.

“Eu não vi nenhuma pista de que a Apple vai atrás deles”, disse Matze. “Isso pareceria uma atitude de dois pesos duas medidas já que todas as redes sociais enfrentam os mesmos problemas, talvez em uma escala pior.” O diretor-executivo ainda acrescentou que o assunto está sendo levado muito a sério.

Quanto à medida do Google, Matze disse ter descoberto pela imprensa.

As remoções deixam claro que as empresas tomarão medidas contra aplicativos que não seguirem as regras de suas lojas, o que deve afetar outras plataformas.

Vários aplicativos pouco conhecidos já tentam atrair apoiadores de Trump com promessas de serem redes sociais “imparciais” e com “liberade de expressão” –mostrando que são, na verdade, praças digitais livres, onde os usuários dificilmente precisam se preocupar em serem proibidos de divulgar teorias da conspiração, fazer ameaças ou publicar discurso de ódio.

A aplicação mais rígida da Apple e do Google pode impedir que essas ferramentas se tornem alternativas reais para as plataformas mais convencionais. As remoções fazem com que, a partir de agora, tenham que escolher entre intensificar o policiamento das publicações –minando sua principal característica no processo– ou perder sua capacidade de antingir um público amplo.

Folha
Comentários