Foto: Divulgação/Arquivo
08 de maio de 2021 | 15:48

Um lance de dados, por Carlos Roberto Santos Araújo*

bahia

(Un Coup de Dés Jamais N’Abolira le Hasard – Stéphane Mallarmé)

Após um mês de estadia em hospital, onde (como Max von Sydow redivivo jogando xadrez com a Morte, ou José Servo apostando, numa Castália futurista, o Jogo das Contas de Vidro) por um lance de sorte, venci o Covid, vim ter a esta clínica, para tratamento das sequelas.

Cheguei estropiado: as pernas, atrofiados, não me obedeciam, e as mãos, escalavradas, não seguravam um talher. Ficasse de pé e desabaria, sob meu próprio peso, sobre as pernas bambas de manequim desengonçado, pobres pernas de espantalho desemparado.

Assim, permanecia todo o tempo deitado, imóvel como bicho de seda em seu casulo, em decúbito dorsal, sob o despotismo da lei da gravidade, comendo, bebendo e atendendo aos chamados da natureza pela mão caritativa de terceiros. São os martírios do corpo aos quais nem os poetas, estes magníficos fingidores, escapam.

Mas há sempre uma hora e uma vez para Augusto Matraga: a Clinica Florence veio em meu socorro e em cerca de um mês, com a intensidade dos exercícios físicos , fiquei recuperado.

Aliás, tirei a sorte grande ao vir a este estabelecimento. O tratamento é de Primeiro Mundo: sobre seus funcionários serem amáveis e cordiais, são também excelentes profissionais, de técnica apurada e de olho atento às urgências dos pacientes. Em suma, de adventício paralítico, acho-me agora apto aos meus afazeres.

O estabelecimento faz jus ao nome, pois homenageia a patronesse da Enfermagem, Florence Nightingale , mulher valente que, durante a guerra da Crimeia, no século XIX, salvou a vida de tantos soldados, pois partiu para o campo de batalha para lhes pensar as feridas.

A clínica merece a nota da distinção: é eficaz e acelera o processo de reabilitação. Um intermezzo necessário entre o hospital e a casa. Creio seja, no setor, uma das melhores do Brasil.

Não tenho dúvida de o serviço de Home Care ser insatisfatório para convalescentes com sequelas do Covid . O paciente recebe alta hospitalar mas, alquebrado, semi-paralítico, necessita de cuidados especiais, inexistentes em sua casa. Daí a premência de clínica especializada, para transição entre o hospital e a residência.

Agradeço, portanto, ao Sr. Diretor Dr Lucas Andrade, aos médicos doutores Vítor Carlos Santos da Silva, Izabella Moura, aos seus fisioterapeutas e enfermeiros pelos cuidados a mim dirigidos. Um agradecimento especial às minhas acompanhantes Jacyene, Rose e Carine.

Perdoem-me, pois, o vitupério do elogio em boca própria, porém, finda a partida , contada a história e proclamada a vitória, volto para casa, saudável como Deus me fez.

E recomendo: não saiam de casa, lavem as mãos, usem máscaras, evitem aglomerações.

Carlos Roberto Santos Araújoa é desembargador e vice-Presidente do Tribunal de Justiça da Bahia.

Carlos Roberto Santos Araújo*
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