Foto: Carol Garcia/GOVBA/Arquivo
João Leão, vice-governador da Bahia e secretário estadual de Planejamento 10 de junho de 2021 | 08:59

Por que Rui acarinha e quer manter Leão próximo dele em 2022, por Raul Monteiro*

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Em entrevista recente, o vice-governador e secretário estadual de Planejamento, João Leão, avaliou que, depois de anos de apoio ao PT, talvez fosse a vez de o partido ceder a cabeça de chapa para a sua sigla ou o PSD do senador Otto Alencar na disputa pela sucessão do governador petista Rui Costa. Afinal, como observou o líder do PP na Bahia, os petistas completarão, no ano que vem, quatro mandatos à frente do comando do Estado. Embora a declaração não tenha sido levada muito a sério, dado o conhecido estilo meio fanfarrão do progressista, ela revela um Leão bastante senhor de si e do seu papel no jogo sucessório.

De fato, não há dúvida de que um grande número de forças políticas que circundam hoje o governo ou aguardam o momento para decidir se pulam para o seu lado ou acompanham o ex-prefeito ACM Neto (DEM) na briga pelo Palácio de Ondina, espera o que Leão pretende fazer para tomar posição. A questão é saber como o vice-governador, que não pode disputar a reeleição nem indicar o filho ao mesmo cargo, vai agir. Ele pode ceder a vaga ao Senado a Otto na chapa que pretende ser liderada pelo petista Jaques Wagner, retirando-se da política e indicando um terceiro nome de seu grupo político a vice em seu lugar.

Leão pode também se afastar do grupo petista e bancar a candidatura do filho, o deputado federal Cacá Leão (PP), para senador na chapa de Neto. Pode ainda, distanciando-se dos dois lados mais competitivos pelo governo, resolver ele próprio disputar a sucessão de Rui com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). São hipóteses com as quais os apoiadores do governo e Wagner trabalham abertamente hoje, a ponto de o petista, na refrega pela presidência da Assembleia Legislativa entre PP e PSD, no início do ano, ter deixado claro que não fazia lá muita questão de manter Leão no grupo.

Neste ponto, o senador pensa de forma completamente diferente do governador. Mesmo depois do episódio no Legislativo em que o PP abertamente o peitou, Rui só não fez Leão seu chefe da Casa Civil porque, boquirroto, o vice anunciou o convite antes que o governador o fizesse. Ainda assim, na micro-reforma administrativa que empreendeu no mês passado, o contemplou com mais uma secretaria, ampliando para três o número de pastas comandadas pelo PP, o que tornou o partido, se levados em conta outros agregados na máquina, o mais bem aquinhoado no governo entre todos os aliados. Nada, naturalmente, saiu de graça. Nem muito menos passou despercebido.

A ‘operação agrado’ a Leão é reveladora também do motivo porque Rui pensa de forma diferente de Wagner sobre o PP. Na verdade, contrariando o que seria a estratégia prevalente no PT para facilitar a campanha de Wagner, o governador baiano ainda alimenta a ideia de virar senador. Como a presença de dois petistas na chapa pode tornar-se desagregadora, porque alijaria, naturalmente, Otto do Senado, o atual inquilino de Ondina busca manter próximo Leão que, na hipótese de renúncia de Rui para concorrer em 2022, assumiria o governo. Afinal, o vice pode ser um aliado importante para Rui no caso de divergências se acentuarem entre os dois líderes petistas.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*
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