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Governo americano diz que país asiático estimula atuação de hackers para roubar segredos industriais 19 de julho de 2021 | 13:27

Estados Unidos e outros países acusam China de espionagem digital

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Os Estados Unidos e seus aliados acusaram a China de estar por trás de uma campanha global de espionagem digital, em um raro e amplo movimento público nesta segunda (19). Além dos EUA, as queixas também foram apresentadas pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Reino Unido, Austrália, Japão, Nova Zelândia e Canadá.

O governo americano usou uma linguagem dura. “O Ministério de Segurança do Estado da China tem fomentado um ecossistema de hackers criminosos que realizam tanto atividades patrocinadas pelo Estado quanto crimes digitais para seu próprio lucro”, disse Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA. “Isso é uma grande ameaça para nossa economia e segurança nacional”.

Os EUA apontaram os chineses como culpados por vários ataques, inclusive um contra servidores da Microsoft. Funcionários do governo identificaram mais de 50 técnicas que seriam usadas por chineses em ações do tipo. As operações seriam usadas para roubar segredos industriais e informações confidenciais em áreas como aviação, defesa, educação, governo, biomedicina e produção naval. Os alvos estariam em países como África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Áustria, Camboja, EUA, Indonésia, Malásia, Noruega, Reino Unido e Suíça.

O Departamento de Justiça dos EUA processou quatro chineses –três funcionários de segurança e um hacker– por ações contra dezenas de empresas, universidades e setores do governo nos EUA e em outros países.

A embaixada chinesa em Washington não comentou o caso. Em ocasiões anteriores, autoridades da China disseram que o país é contra ataques digitais, e que também costuma ser vítima deles.

Especialistas, no entanto, apontam que as acusações podem não dar em nada se não houver medidas concretas. “Foi um esforço bem-sucedido de amigos e aliados para atribuir as ações a Pequim, mas não é muito útil se isso não for seguido por ações concretas”, analisa Adam Segal, especialista em cibersegurança do Council on Foreign Relations.

Nos últimos anos, os EUA acusaram a Rússia de estar por trás de ataques digitais a empresas e ao governo do país. O governo russo sempre negou participação.

Os ataques a servidores digitais estão cada vez mais frequentes e os Estados Unidos foram particularmente afetados nos últimos meses por operações que tinham como alvo grandes empresas, como a gigante da carne brasileira JBS e a operadora de oleodutos Colonial Pipeline, assim como comunidades e hospitais locais.

A acusação contra a China foi feita um dia depois da divulgação, feita por um consórcio de imprensa, de que governos de ao menos dez países estariam usando um software de espionagem contra jornalistas, opositores e ativistas.

Folhapress
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