Foto: Edu Andrade/Arquivo/Ascom
Paulo Guedes 25 de novembro de 2021 | 08:54

Guedes diz a empresários que mercado deve evitar ‘posição infantil’ sobre teto de gastos

economia

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta quarta-feira (24) esperar que o mercado compreenda o governo após a manobra que dribla o teto de gastos, em vez de ter uma “posição infantil” sobre o assunto.

Ele afirmou que o país chegará ao ano eleitoral com um déficit maior do que o deste ano, mas considerou o movimento completamente compreensível diante das demandas da classe política.

“Vamos para a dimensão política e a preocupação com o social, [o movimento é] perfeitamente compreensível. Eu espero que os mercados compreendam isso ao invés de ter uma posição um pouco mais infantil de que ‘o símbolo é o teto’, ‘o teto ou a morte’, ‘vou pedir demissão hoje porque a classe política decidiu furar o teto’”, disse Guedes.

O ministro fez um apelo para que os empresários apoiassem as reformas no Congresso. Disse ainda haver uma ala do governo contrária ao avanço delas, por achar que prejudicam o presidente eleitoralmente. Sinalizou também que esse entorno teria interesses políticos próprios ao sugerir isso.

“Dentro do governo, tem um entorno também que acha que presidente ganha se não fizer reforma”, disse.

“Eu acho que é o contrário. Avançar com as reformas é o sinal de uma administração que quer mover o Brasil. Mas tem gente, o cara quer ser eleito… Bom, deixa para lá”, completou.

O ministro não mencionou nomes, mas nos bastidores enfrenta uma batalha com a ala política do governo, em especial com Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) —que deve ser candidato ao governo do Rio Grande do Sul em 2022.

Essa ala do governo defende que Bolsonaro gaste mais com programas sociais no último ano de governo e deixe as reformas de lado. O próprio presidente admitiu a dificuldade de aprová-las na reta final de sua gestão.

A manobra que alterou o cálculo do teto de gastos e levou à debandada na equipe de Guedes foi a mais recente vitória da ala política sobre Guedes.

Fábio Pupo e Marianna Holanda/Folhapress
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