Foto: Eduardo Knapp/ Folhapress
O pastor Silas Malafaia durante inauguração de nova igreja da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, em Taboão da Serra (SP) 01 de dezembro de 2021 | 16:00

Malafaia diz que apoiadores de Alcolumbre são pé-rapados que obedecem ao chefe

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O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e um dos principais aliados de Bolsonaro no segmento evangélico, enviou uma sequência de áudios à coluna nesta quarta (1º) para criticar os apoiadores do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) que responderam a ataques feitos por ele nas redes sociais.

Segundo Malafaia, os apoiadores são “pé-rapados” que estão querendo apenas agradar “o chefe” —ou seja, Alcolumbre. O deputado federal Pedro da Lua (PSC-AP) foi o alvo preferencial do pastor.

“Quem é esse deputado aí? Ele está na Lua. E na eleição dele eu vou denunciar ele lá no Amapá. Eu vou denunciar para evangélicos não votarem num mentiroso, inescrupuloso que se diz evangélico, que faz acusação leviana contra pastor”, disse Malafaia.

Em publicação nas redes sociais, o deputado Pedro da Lua insinuou que o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo cobra por seus trabalhos religiosos.

“Silas Malafaia, você acha mesmo que nosso povo vai trocar Davi Alcolumbre, que transformou o Amapá no estado que mais recebeu recursos federais, pelo senhor que não abriu mão nem de cobrar os cachês de suas pregações? Enquanto vossa senhoria tuíta, Davi Alcolumbre trabalha”, disse o parlamentar.

Malafaia, por sua vez, rebateu afirmando que o deputado “deve estar na Lua”. “Eu sou pastor há 40 anos. Desafio qual é a igreja, qual é o lugar que eu fui que eu cobrei para pregar”, afirmou em áudio.

“Vou desafiar ele a provar que eu cobrei em alguma igreja nesse país para eu pregar. Qual é o dia? Onde é que ele prova isso? Está pensando que ele vai ter moleza? Vai apanhar também na eleição para deixar de ser otário, tá? E bobalhão e mentiroso”, seguiu o evangélico.

O deputado do PSC respondeu às ofensas do líder evangélico. “Eu declaro que essa fala do pastor Malafaia só reforça o preconceito imposto por alguns líderes que se acham donos do povo evangélico e não aceitam que nós, do Norte, temos opinião e nosso voto vale tanto quanto os dos deputados do Sul e Sudeste”, disse.

“Lamento tal postura vindo principalmente de quem se diz um homem de Deus e seguidor de Cristo, mas contra o ódio de Malafaia eu ofereço a outra face, o amor!”, o deputado sobre ser chamado de pé-rapado.

Malafaia é um entusiasta da indicação do “terrivelmente evangélico” André Mendonça ao STF (Supremo Tribunal Federal), que tinha ficado parada até agora no Senado por causa da recusa de Alcolumbre em marcar a sabatina dele na Comissão de Constituição e Justiça —e acabou agendada para esta quarta.

Como mostrou a coluna, uma ameaça feita por ele a Alcolumbre provocou forte reação de políticos do estado em defesa do parlamentar. Na ocasião, o pastor disse que a resposta dos evangélicos seria dada no voto em seu estado.

“Até aceito um amapaense natural ou de coração palpitar sobre a nossa realidade. Mas um ‘pastorzinho’ que se duvidar nem orar pelo Amapá ora, esse eu não aceito”, escreveu o secretário de Juventude do Amapá, Pedro Filé Lourenço.

Após a publicação, Malafaia sugeriu que esta coluna estaria a serviço de Davi Alcolumbre. “Será que ela [Mônica Bergamo] está na folha do Alcolumbre? Pô, pelo amor de Deus, que jornalismo… Bota três pé-rapado de deputado vinculado ao Alcolumbre dizer ‘forte reação de políticos do Amapá’. Vai lá no Twitter ver a forte reação contra Alcolumbre!”, afirmou.

“Que jornalismo medíocre é esse, minha gente?”, disse ainda.

O pastor seguiu dizendo que o ex-ministro André Mendonça não foi indicado pelas lideranças evangélicas, mas pelo presidente Jair Bolsonaro, e que não encontra resistência junto ao STF (Supremo Tribunal Federal).

“Eu ouvi de [presidente do STF, Luiz] Fux e de Gilmar Mendes [ministro da corte], eu ouvi deles: ‘O André pode estar aqui. Não tem nada com questão de ser evangélico”, afirmou Malafaia em áudio enviado à coluna.

“E pergunta como é que ele foi eleito no Amapá. Foi eleito com o voto de quem? Se 40% da população do Amapá é evangélica. Ele não precisa desse voto?”, disse sobre Alcolumbre.

O ex-advogado-geral da União é sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senadomais de quatro meses após sua indicação ter sido enviada para o Senado.

O presidente da comissão, Davi Alcolumbre (DEM-AP), resistia a pautar a sabatina, por defender para o cargo o nome do procurador-geral da República, Augusto Aras. O senador ainda entrou em atrito com o Palácio do Planalto, após ter perdido o controle sobre a distribuição de emendas parlamentares. ​

Mônica Bergamo, Folhapress
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