Foto: Taba Benedicto/Estadão/Arquivo
Risco maior para pedetista não é abandono de candidatura, mas migração precoce de votos 14 de maio de 2022 | 14:01

Eleitorado convicto de Lula e Bolsonaro pode asfixiar Ciro no 1° turno

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Na eleição de 2018, Ciro Gomes sentiu um golpe quando o PSB desistiu de apoiar sua campanha. O pedetista enxergou as digitais do PT na articulação, que chamou de “desleal e traiçoeira”. Agora, ele tenta reagir ao que considera um novo ataque especulativo atribuído aos petistas.

Lula procurou uma brecha para conseguir o apoio de setores do PDT ainda no primeiro turno da disputa. Pelas contas de alguns petistas, a eventual retirada da candidatura de Ciro provocaria uma migração de eleitores e daria ao ex-presidente a chance de vencer no primeiro turno. O pedetista não gostou.

Ciro aproveitou o episódio para reforçar sua contraposição a Lula e obteve um bônus de exposição para uma candidatura que parece estacionada na casa de um dígito nas pesquisas. Ele afirmou que vai continuar na corrida até o fim e vencer a eleição no segundo turno.

Ainda que o presidente do PDT, Carlos Lupi, classifique a candidatura de Ciro como irreversível, os números não favorecem o prognóstico otimista feito pelo candidato.

Apesar de contar com uma militância dedicada, o pedetista desperta entusiasmo limitado numa eleição precocemente polarizada. Na pesquisa Ipespe da última semana, só 2% dos entrevistados disseram acreditar que Ciro será eleito em outubro. Como ele aparece com 8% das intenções de voto, é possível dizer que uma boa parcela de seus eleitores não crê na vitória.

Um dos principais ativos de Ciro é virtual. O pedetista é o candidato com o maior índice de entrevistados que dizem que “poderiam votar” nele: 42%. A concentração de eleitores convictos em torno de Bolsonaro e Lula, porém, asfixia esse potencial.

O pedetista argumenta que sua saída da disputa reforçaria a polarização. Faz sentido, embora existam poucas garantias de que a manutenção sua candidatura evitará esse cenário. O maior risco para Ciro não está em negociações nos gabinetes do PT ou do PDT, mas entre os eleitores que podem migrar para Lula ou Bolsonaro já no primeiro turno.

Bruno Boghossian / Folha de S. Paulo
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