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Prefeita Sheila Lemos, de Vitória da Conquista 20 de junho de 2022 | 10:18

‘Ele está fazendo o certo, vai governar com quem for o presidente’, diz prefeita Sheila Lemos sobre ACM Neto

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A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (UB), declara que o ex-prefeito ACM Neto (UB), pré-candidato ao governo do Estado, “não se vê apoiando nem o projeto de Lula e nem o de Bolsonaro” para as eleições deste ano.

“Então fica difícil ele falar que está com um ou que está com outro; acho que ele está fazendo o certo. Ele vai governar com quem for o presidente, como aqui em Vitória da Conquista, onde governamos e não somos aliados nem do governo do Estado e nem do governo federal”, prevê.

A gestora do município localizado no Sudoeste baiano diz temer que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso se consagre nas urnas, “volte com sede de vingança, decepcionado porque a população, quando ele foi preso, não parou tudo, não parou o Brasil”.

“Tenho muito receio de que esse Lula que está hoje “paz e amor”, sentado na cadeira, tendo a caneta do poder, venha a se transformar numa outra pessoa”, observa.

Ela conta que o presidente Jair Bolsonaro (PL), que rivaliza com o petista nas pesquisas, tem “encostado” em Lula nos últimos levantamentos feitos em Conquista. “Acredito que a gente só vai conseguir perceber isso quando fechar agosto e terminarem todas as convenções, quando vamos saber quem é candidato e quem não é”, avalia.

Confira a entrevista na íntegra:

Política Livre: A senhora tornou-se prefeita após o falecimento do prefeito Herzem Gusmão. Como está sendo a experiência de comandar uma cidade como Vitória da Conquista? Quais as maiores dificuldades de administrar uma das maiores cidades do interior baiano?

Sheila Lemos: Primeiro, é uma honra ser prefeita dessa cidade, essa cidade tão maravilhosa, a terceira maior cidade do estado da Bahia, quinto PIB da Bahia, melhor cidade para se viver na Bahia, segunda melhor cidade pra se viver na região Nordeste. Mas uma cidade desse porte traz muitos desafios. Logo quando assumimos, enfrentamos a segunda onda do Covid, em 2021, mas nós tivemos ações muito rápidas e respostas rápidas da população e, graças a Deus, nós conseguimos superar. Infelizmente tivemos 690 óbitos, mas controlamos com mão de ferro mesmo a Covid. Hoje, graças a Deus, somente 32 pessoas estão com casos ativos. Nos últimos 45 dias, tivemos três óbitos de pessoas que não completaram o ciclo vacinal; é muito importante que as pessoas completem o ciclo vacinal, tomem a terceira dose, que os idosos tomem a quarta dose. Outro grande desafio das médias e grandes cidades é transporte público: o diesel representando 30% de todo custo do transporte público e aqui em Vitória da Conquista o sistema é operado pela própria Prefeitura. As duas empresas que tinham concessão aqui, uma entrou em falência e outra saiu por decisão judicial.

Para chamar mais passageiros, a Prefeitura chegou a baixar a tarifa?

Tomamos uma atitude que nem todos compreenderam, mas a gente precisava trazer o passageiro de volta. Nós pegamos a passagem que custava R$ 3,80 e demos um desconto, e o passageiro passou a pagar R$ 2,50 ou R$ 2 através do cartão “Bem Simples”. Com isso, conseguimos fazer com que os usuários voltassem e hoje estamos transportando por dia cem mil pessoas. Mas isso tem um custo e a Prefeitura está subsidiando o transporte público com aproximadamente R$ 2,5 milhões por mês. Essa semana nós vamos ter que diminuir um pouco esse percentual do desconto, a passagem vai pra R$ 2,50 a mais barata [no cartão] e R$ 3 no dinheiro, já pra ajudar um pouco no pagamento por conta dos insumos que aumentaram demais. Então os dois maiores desafios foram Covid e transporte público.

Salvador anunciou também um reajuste e o governo estadual também anunciou para o transporte metropolitano. A questão também é essa da falta de subsídio?

A gente está tentando com o governo federal subsídio para os idosos, gratuidade dos idosos, mas o governo ainda não deu essa resposta, e os municípios é que estão pagando. Não tem jeito: onde tem as empresas, as empresas não conseguem transportar. Então, a Prefeitura ajuda no pagamento ou no fechamento dessa conta ou vai parar o transporte, que é um direito de todos, é um direito do cidadão. A gente não tem pra onde correr, tem que mexer no orçamento, mexer nas finanças do município para que a população não possa perder esse serviço essencial.

A senhora está quase na metade da gestão. Com o que a senhora já vivenciou, já almeja uma reeleição nas eleições de 2024? Ou isso somente após o resultado das eleições desse ano?

Eu estou como prefeita de Conquista há um ano e três meses e tenho muitas coisas ainda a realizar. Então se me perguntar: “Sheila, você pensa em reeleição?”. Sim, eu penso em reeleição.

O PT em Vitória da Conquista perdeu nesta semana uma ação na justiça eleitoral, mas informou que outra ação para impugnar a chapa da senhora e do ex-prefeito Herzem ainda tramita, alegando abuso de poder econômico. A que a senhora atribui estas ações dos petistas?

Na verdade, essa nossa eleição de 2020 foi muito judicializada. Nossos adversários por tudo entravam na justiça. Inclusive, na época, o juiz chamou os representantes das coligações e pediu que dessem um basta porque se estava judicializando por qualquer coisa, estava sobrecarregando a Justiça. Então tem vários processos ainda do PT correndo, mas todos sem nenhum indício, sem nenhuma prova, como foi o mais recente que a juíza acabou arquivando. Eles falam que houve abuso de poder econômico, que foi foram feitos camiseta, máscara, mas não existe prova disso. Tenho certeza que todas essas ações vão cair uma por uma porque não foi isso que aconteceu na cidade, não é uma prática que o Herzem fez nem na primeira eleição, nem na segunda. É coisa de tentar ganhar no tapetão.

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do partido da senhora, lidera as intenções de voto na disputa pelo governo do estado. A que a senhora atribui esta atual vantagem e que melhoras ACM Neto poderia trazer para a Bahia?

Neto foi assim um excelente prefeito aí da nossa capital, da nossa querida Salvador. Por oito anos foi considerado o melhor prefeito e a gente vê isso quando vai, quando visita Salvador, e não é algo que só há na orla ou só no centro, é no subúrbio também; você vê obra atrás de obra, muita coisa feita, muita área de lazer. As encostas que sempre foram um problema enorme aí na capital. Você tem trabalho. E o que eu acho que os baianos querem hoje é isso, que Neto faça realmente pela Bahia o que conseguiu fazer em Salvador, fazer uma cidade bonita, uma cidade aprazível, uma cidade onde as pessoas têm prazer de viver, de morar. Os baianos hoje não têm dúvida: Neto é o melhor para a Bahia.

Vitória da Conquista recentemente foi governada pelo PT, mas há também um eleitorado do presidente Jair Bolsonaro na cidade. Qual impacto a senhora entende que pode haver da eleição nacional aí na região para a escolha para governador?

O ex-presidente Luiz Inácio é muito querido na região Nordeste por tudo o que ele representou, a luta dele de ter vindo do sertão do Pernambuco. A história de vida de Lula impacta e os nordestinos temos uma simpatia por essa história. Mas nós já testamos o Lula, já testamos o PT no Governo Federal e a gente sabe o eles podem fazer. E eu tenho muito medo deste retorno de Lula porque ele ainda entende que o impeachment de Dilma foi um golpe, que ele foi traído pela classe política e por isso ele foi preso. Então, eu temo muito desse Lula voltar com sede de vingança, decepcionado porque a população, quando ele foi preso, não parou tudo, não parou o Brasil, né? Tenho muito receio de que esse Lula que está hoje “paz e amor”, sentado na cadeira, tendo a caneta do poder, venha a se transformar numa outra pessoa.

E o presidente Bolsonaro?

Já o presidente Jair Bolsonaro, a gente também testou por um mandato, a gente sabe dos defeitos e das virtudes, o que todos têm. Esperei muito pela consolidação de uma terceira via, mas está ficando cada dia mais difícil. Enquanto partido, estamos esperando a posição do União Brasil, porque o presidente (Luciano) Bivar se colocou como candidato e eu acredito que isso vá se consolidar, ele sendo candidato ou não, lá para agosto. Então nós ainda estamos esperando assim uma posição do partido. Mas acredito que vá ficar nesse Ba-Vi mesmo: o presidente Bolsonaro contra o PT. Aqui em Vitória da Conquista, vimos algumas pesquisas que foram feitas, e o Lula, no início do ano, estava bem à frente de Jair Bolsonaro, mas agora, no final do mês de maio, início agora de junho, a gente já percebe nas pesquisas o Bolsonaro encostando. Acredito que a gente só vai conseguir perceber isso quando fechar agosto e terminarem todas as convenções, quando vamos saber quem é candidato e quem não é. Acho que vai dar uma clareada para a gente entender melhor esse cenário nacional.

Então a estratégia do ACM Neto de ficar alheio a essa polarização de não ser nem Lula, nem Bolsonaro, o que que a senhora acha? Ele está correto?

A situação de Neto acaba sendo complicada porque ele tem a maioria do eleitorado da Bahia. As pesquisas já mostram 60% nas intenções de votos dos baianos, mas quando pega essa pesquisa vemos que grande parte desse eleitorado vota em Lula. Então é um pouco ilógico: vota em Lula e vota em ACM Neto? Neto não se vê apoiando nem o projeto de Lula e nem o de Bolsonaro. Então fica difícil ele falar que está com um ou que está com outro; então acho que ele está fazendo o certo. Ele vai governar com quem for o presidente, como aqui em Vitória da Conquista, onde governamos e não somos aliados nem do governo do Estado e nem do governo Federal. O União Brasil não é aliado de ninguém, mas mesmo assim a gente governa e governa bem e tem uma relação institucional muito boa, tanto no governo federal quanto no governo do Estado. Eu converso com o governador, eu vou às secretarias estaduais, eu vou a Brasília, vou em todos os ministérios. Tenho uma boa relação com a bancada baiana na Câmara Federal. Então é preciso ser mais profissional, ser mais técnico, trabalhar pelo Estado e pelas cidades e não estar com essa essa briguinha de partido X ou partido Y.

Mateus Soares e Davi Lemos
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