Foto: Wilton Júnior/Estadão/Arquivo
O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes (STF) 23 de junho de 2022 | 17:32

Jantar com Moraes e Bolsonaro teve oração de Mendonça e defesa de Gilmar por diálogo

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O jantar oferecido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pelos 20 anos do ministro Gilmar Mendes no STF (Supremo Tribunal Federal) teve uma oração iniciada pelo colega de tribunal André Mendonça e uma defesa pelo diálogo entre os Poderes feita pelo homenageado da noite.

Na quarta-feira (22), Lira reuniu cerca de 40 integrantes dos três Poderes no jantar em homenagem Gilmar realizado na residência oficial da Câmara, em Brasília. O rol de convidados incluiu líderes da oposição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Moraes é alvo preferencial do bolsonarismo por relatar investigações que afetam aliados do presidente. Durante o jantar, Moraes e Bolsonaro chegaram a ter um encontro reservado, de cerca de 15 minutos, segundo revelou a coluna da Mônica Bergamo, da Folha.

Participantes disseram que o jantar seguiu em clima amistoso. Bolsonaro ficou cerca de duas horas no encontro.

Segundo relatos, o presidente cumprimentou todos os presentes, incluindo deputados da oposição que foram convidados. Ao chegar, ainda de acordo com relatos, disse em tom de brincadeira: “Aqui hoje só tem gente boa”.

Bolsonaro permaneceu na confraternização ao lado dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública) e do ex-ministro da Defesa Braga Netto, apontado como possível vice na campanha do presidente à reeleição. Braga Netto tem acompanhado o mandatário em eventos políticos.

Durante o jantar, discursaram os presidentes das duas Casas do Congresso, Lira e e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Também falaram os ministros do STF Ricardo Lewandowski, Gilmar e André Mendonça.

Kassio Nunes Marques, primeiro indicado de Bolsonaro ao Supremo, também passou pelo jantar, mas saiu cedo.

Lewandowski fez um discurso ressaltando a trajetória de Gilmar, em que destacou seu papel de liderança.

Em seguida, discursou o homenageado. Gilmar fez uma fala ressaltando a importância do diálogo entre os Poderes. Lembrou da experiência de governos anteriores, como os de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da diferença, disse Gilmar, eles se sentavam à mesa para dialogar.

Gilmar também disse, de forma geral, que é importante saber receber críticas e entender as razões de cada um.

Antes do fim dos discursos, Mendonça, outro indicado por Bolsonaro ao STF, pediu a palavra. Ele fez um agradecimento em tom pessoal, mencionou a família de Gilmar e agradeceu a Deus pela vida dele. Em seguida, puxou uma oração e foi acompanhado pelos demais convidados.

Antes de indicar Mendonça para o tribunal, Bolsonaro disse que seria “bom, se uma vez por semana, nessas sessões que são abertas no Supremo Tribunal Federal, [os ministros] começassem com uma oração do André”.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, Bolsonaro e Moraes conversaram a portas fechadas no jantar. Foi a primeira conversa dos dois desde que o chefe do Executivo passou a se queixar publicamente de uma suposta quebra de acordo por parte do ministro, no ano passado, em meio às convocações golpistas feitas por Bolsonaro para os atos do 7 de Setembro de 2021.

Moraes e o ex-presidente Michel Temer (MDB), que presenciou a conversa entre os dois em 2021, negam que tenha existido um acordo.​

Segundo participantes do jantar, o presidente do STF, Luiz Fux, não compareceu. Tampouco foram os ministros Luis Roberto Barroso e Edson Fachin, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e as ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia.

Bolsonaro tem lançado dúvida sobre as eleições, insistindo em questionar o sistema de contagem de votos. Nas pesquisas de intenção de voto, o mandatário está em segundo lugar, atrás do ex-presidente Lula.

Quando questionado se respeitaria o resultado das urnas, caso não consiga sua reeleição, Bolsonaro se negou, em mais de uma ocasião, a responder à pergunta.

Um dos temas recentes de embate entre o presidente e o TSE diz respeito à apuração nas eleições.

Bolsonaro defende que seja feita uma contagem paralela dos votos, mas Fachin o rebateu e alegou que isso já é feito. O ministro ainda afirmou que age por motivação política ou desconhecimento técnico quem questiona o trabalho da Justiça Eleitoral.

O TSE será presidido nas eleições por Alexandre de Moraes.

Danielle Brant e Marianna Holanda, Folhapress
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