Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Banco Central 23 de junho de 2022 | 19:40

Meta de inflação de 2025 será de 3%, define Conselho Monetário Nacional

economia

O CMN (Conselho Monetário Nacional) definiu nesta quinta-feira (23) que a meta de inflação para 2025 será de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Não houve modificações nas metas para 2023 (3,25%) e para 2024 (3%), ambas com a mesma margem.

O CMN é atualmente presidido pelo ministro Paulo Guedes (Economia) e composto pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e por Esteves Colnago, secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia.

A meta serve para ancorar as expectativas do mercado financeiro e, desde 2019, vem sendo reduzida em 0,25 ponto percentual ao ano até chegar aos 3%, em alinhamento com outras economias emergentes.

Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC e sócio fundador da Mauá Capital, vê a meta de 3% como “um desafio” para o Brasil. “Mas um bom desafio”, comentou ele, antes da reunião do CNM.

O BC calibra a taxa básica de juros, a Selic, para atingir o centro da meta de inflação.

Quando a inflação encerra o ano acima do teto do alvo, o presidente do BC fica obrigado a apresentar uma carta aberta ao ministro da Economia justificando as razões de não ter cumprido o objetivo e explicando as providências que serão tomadas para que a inflação volte aos limites fixados.

Foi o caso em 2021, quando Campos Neto escreveu que a inflação de dois dígitos (10,06%) era culpa do fenômeno global. O presidente do BC citou também a pressão cambial, o risco fiscal e a crise hídrica para justificar o estouro do teto da meta no ano passado.

Diante de uma inflação persistente e disseminada nos últimos meses, com choques provocados mais recentemente pela Guerra da Ucrânia, a autoridade monetária já admite o descumprimento da meta pelo segundo ano consecutivo.

No acumulado de 12 meses até maio, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu 11,73%. A estimativa do BC para a inflação de 2022 é 8,8%, longe do teto estipulado (5%).

A apresentação preliminar do relatório trimestral de inflação, nesta quinta, mostrou que a autarquia prevê que o IPCA fique em 11,31% no acumulado de 12 meses até agosto. Nas projeções de curto prazo, considera altas de 0,81% em junho, de 0,84% em julho e de 0,33% em agosto. No trimestre, estima avanço de 1,99%.

O sistema de metas de inflação foi adotado em 1999 para dar segurança à sociedade sobre os rumos da economia, evitando o risco de hiperinflação que atingiu o país nas décadas de 1980 e 1990. O objetivo é fixado pelo CMN com três anos-calendário de antecedência.

A decisão de manter 3% como alvo em 2025 veio em linha com a expectativa do mercado. Economistas ouvidos pela reportagem antes da reunião do CMN apontavam que a elevação das metas de inflação geraria desconfiança, afetando a credibilidade do BC.

Ana Madeira, economista-chefe para Brasil do HSBC, disse que uma mudança de rumo traria ruído. “É importante para a credibilidade do Banco Central manter os mesmos patamares”, afirmou.

Para Andrea Damico, economista-chefe da Armor Capital, a margem de tolerância já é um mecanismo suficiente para lidar com choques inflacionários atípicos. Uma revisão para cima seria vista, segundo ela, como “uma senha para, de repente, tolerar uma inflação mais alta em detrimento de um cenário de estabilidade de preços mais perene.”

O sócio e economista da Kairós Capital, Marco Maciel, ressaltou a importância de manter as metas de inflação próximas aos padrões internacionais, ainda que as expectativas do mercado mostrem que há pouca crença na convergência da inflação para o centro do objetivo no ano que vem.

“É preciso colocar nosso centro da meta em linha com o resto do mundo, senão a gente paga o preço ou no câmbio ou na visão da competitividade da economia brasileira”, disse.

Nathalia Garcia/Folhapress
Comentários