Home
/
Noticias
/
Economia
/
SpaceX, de Musk, cita STF como exemplo de autoridade 'instável ou arbitrária' em pedido de IPO
SpaceX, de Musk, cita STF como exemplo de autoridade 'instável ou arbitrária' em pedido de IPO
Empresa usa bloqueio de contas da Starlink no Brasil para ilustrar riscos globais a investidores
Por Pedro S. Teixeira/Folhapss
22/05/2026 às 17:00
Foto: Reprodução
O bilionário Elon Musk
A companhia aeroespacial SpaceX, do bilionário Elon Musk, cita o STF (Supremo Tribunal Federal) como um exemplo de autoridade "instável, maliciosa ou arbitrária" que pode afetar os resultados da empresa.
A declaração sobre a corte brasileira consta no pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia na Bolsa americana na quarta-feira (20), na seção que trata dos riscos jurídicos e governamentais enfrentados. A oferta deve ser a maior da história de Wall Street.
Em agosto de 2024, as contas da subsidiária Starlink Brasil foram bloqueadas por decisão do ministro Alexandre de Moraes a fim de cobrar multas aplicadas contra a rede social X (ex-Twitter), na qual Musk também é o principal acionista, por descumprimento de decisão judicial.
As contas da empresa ficaram bloqueadas por 20 dias até a regularização do X. Procurado, o STF não comentou a crítica. A Starlink tampouco respondeu aos questionamentos da reportagem.
O bloqueio só foi revertido em setembro de 2024, quando as companhias pagaram as multas contra o X, que somavam mais de R$ 18 milhões. Saíram do caixa da rede social R$ 7 milhões e da conta da Starlink Brasil R$ 11,2 milhões.
O X se tornou uma subsidiária de fato da SpaceX apenas em fevereiro de 2026, no âmbito das negociações que precederam o pedido de IPO.
A rede social era uma empresa independente na época da decisão de Moraes que também tirou a plataforma do ar por cerca de um mês, e a falta de uma relação direta entre as duas companhias gerou divergência entre ministros do Supremo na ocasião.
"Como evidenciado pela apreensão de ativos no Brasil, podemos estar sujeitos a ações adversas de agentes governamentais com base em suposições, fatos ou eventos que não estejam diretamente relacionados às nossas operações e que, em vez disso, se relacionem às ações de nossos diretores ou acionistas", afirmou a SpaceX no documento.
"Mesmo que tentemos cumprir as leis locais conhecidas, nossos ativos podem estar sujeitos a apreensão, bloqueio ou outras formas de expropriação", acrescentou.
De acordo com a SpaceX, não existe garantia de que a empresa conseguirá manter operações nos países onde atua, caso suas posses sejam alvo de apreensão, bloqueio ou outra expropriação.
"Além disso, medidas que tomemos para minimizar o impacto de ações como a apreensão de ativos no Brasil sobre nossos clientes —por exemplo, continuar prestando o serviço sem cobrança ou alterar processos e métodos de pagamento para permitir que os clientes mantenham o serviço— podem ter impacto material sobre nosso desempenho financeiro".
Segundo a SpaceX, a atuação global da Starlink gera exposição a riscos regulatórios, jurídicos e militares. "Certos governos estrangeiros discutiram publicamente o possível uso de armas antissatélite contra a constelação Starlink".
A agência Associated Press veiculou reportagens sobre supostos esforços dos governos russos e chineses para desenvolver armas antissatelitais capazes de derrubar satélites da SpaceX com base em fontes de equipes de inteligência americanas e europeias, embora não existam declarações oficiais nesse sentido.
"A crescente militarização do espaço e o potencial desenvolvimento de capacidades de guerra baseadas no espaço podem expor nossos ativos e operações a riscos geopolíticos e de segurança mais elevados, incluindo o risco de que governos estrangeiros ou outros agentes possam mirar nossos satélites ou infraestrutura relacionada", diz a Starlink no documento.
O pedido de IPO da SpaceX volta a citar o Brasil quando detalha seus planos para um serviço de internet móvel via satélite, o Starlink Mobile. No mercado brasileiro, onde a empresa já soma mais de 1 milhão de clientes na banda larga fixa, a companhia de Musk cita como concorrente a Telefónica, companhia espanhola que controla a Vivo.
A oferta de ações da SpaceX não será registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Por isso, a negociação dessas ações em mercados regulados no país será proibida.
Os papéis da companhia aeroespacial só poderão ser comprados por investidores profissionais certificados, por meio de contas no exterior e com liquidação em moeda estrangeira.
