Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

A agropecuária baiana vai se unir em defesa do Parque de Exposições de Salvador

Tenho participado de reuniões e discussões com agropecuaristas de todo o Estado e a revolta do setor é enorme com a decisão unilateral do governador Rui Costa de venda do Parque de Exposições de Salvador. O anúncio feito pelo chefe do Executivo sobre a venda do espaço e o edital de alienação publicado no Diário Oficial do Estado do dia 28 de outubro, sem chamar as entidades representativas do segmento para uma conversa, é, no mínimo, intrigante, principalmente por se tratar de um gestor com origem nos movimentos sociais. Ouvir e discutir os assuntos que são inerentes à vida de 750 mil agropecuaristas baianos seria o mínimo que poderíamos esperar.

Já tentei, sem sucesso, sensibilizar o governador para a importância do diálogo com as entidades e associações de produtores baianos para elaborar um projeto multiuso para a área, como havia sido acordado, na época em que estive à frente da Secretaria Estadual de Agricultura, com o ex-governador Jaques Wagner. Acredito que a forma como está sendo conduzido esse processo ocasionará um grande embate com a sociedade, no Legislativo e no Judiciário.

Contesto veementemente os argumentos do governador, que alegou ser preciso a venda do Parque de Exposições para criar emprego em Salvador. O setor agropecuário é um dos maiores geradores de postos de trabalho no Estado e responsável por cerca de 25% do PIB baiano. Dizer que ter um parque em Salvador é luxo e que o setor se organize para comprar uma área na zona rural é desconhecimento da necessidade de um parque na capital do Estado, como ocorre na maioria das grandes cidades do mundo.

Esse espaço é a única forma de interação da cidade com o campo. As crianças da cidade precisam ter familiaridade com a agropecuária e entender as cadeias produtivas para valorizar quem coloca alimentos nas suas mesas. As exposições agropecuárias são um meio de difusão de tecnologia, comercialização de produtos e leilões de animais que servirão de matrizes e reprodutores para a melhoria genética do rebanho do Estado. Isso atrai para a capital agropecuaristas de todo o país com suas famílias que lotam hotéis, restaurantes e movimentam o comércio. A agricultura familiar tem nas exposições da capital o seu auge de vendas do que é produzido em todas as regiões do Estado. Tudo isso não pode acabar por falta de diálogo.

O Parque de Exposições é de fato do setor agropecuário, apesar de no papel está em nome do governo estadual. Na década de 70 as entidades agropecuárias possuíam uma área em Ondina quando o então governador Roberto Santos propôs a mudança para o espaço de 450 mil metros quadrados localizado entre as avenidas Paralela e Dorival Caymmi.

Por todos esses motivos expostos, sou totalmente contrário à venda do Parque de Exposições e vou trabalhar ao lado das entidades representativas do setor para evitar que esse equívoco, que pode causar um dano irreparável à agropecuária, seja cometido pelo governo estadual.

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