Jacó Lula da Silva

Economia

Mario Augusto de Almeida Neto (Jacó) é técnico em agroecologia. Nascido em Jacobina, aos 17 mudou-se para Irecê, onde fundou e coordenou o Centro de Assessoria do Assuruá (CAA) e a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA). Como deputado estadual (2019-2022), defende as bandeiras do semiárido baiano, agricultura rural e movimentos sociais. Ao assumir a cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia, incorporou o "Lula da Silva" ao seu nome, por reconhecer no ex-presidente o maior líder popular do País. Na Alba, é vice-líder do PT e membro titular das Comissões de Saúde e Saneamento, Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho, Agricultura e Política Rural, e Promoção da Igualdade.

A hora e a vez das mulheres que estão candidatas

As mulheres da Bahia e do Brasil estão conhecendo um movimento potente e aguerrido. Trata-se do Coletivo Mulheres de Todas as Lutas, nascido a partir da reflexão de que é necessária a sua organização. Formado por mulheres representantes do interior e da capital do estado, agricultoras, professoras, militantes do PT e de partidos aliados.

O Coletivo já construiu um formulário de pesquisa para saber como estava a divisão do trabalho doméstico em tempos de pandemia que foi preenchido por mais de 1100 pessoas do Brasil e do exterior. Identificou que mulheres do interior que responderam às perguntas estão, em sua maioria, com renda de 0 a 1 salário mínimo; que as mulheres estavam trabalhando somente em casa de 4 a 6 horas por dia; que os conflitos aumentaram; e, mesmo na divisão do trabalho em casa, era dividido sempre com outras pessoas do gênero feminino, sendo elas filhas, mães, irmãs e afins.

Revelou ainda que as mulheres estão se reinventando nesse período, portanto, além do seu trabalho “formal”, estão fazendo artesanatos, trabalhando com os mais diversos tipos de alimentação (venda de doces, bolos, comida no geral), cuidando de idosos, passeando com animais de estimação.

Desse formulário surgiram o programa “Hora das Mulheres” – tratando dos mais diversos temas, relacionando sempre com as questões de gênero – e o projeto “Mulheres que Lutam”, formado por essas mulheres empreendedoras e que precisam de incentivo e publicidade para fortalecer sua renda.

Com suas reuniões acontecendo todas as terças-feiras, às 19h, via remota, possibilitou a aproximação de mulheres, naquele momento ainda pré-candidatas, principalmente na Bahia. Mulheres da capital, da periferia, do centro, do campo, do sertão. São mulheres negras empretecendo a educação. Mulheres quilombolas que querem o direito de viver nossos costumes. Mulheres indígenas lutando pelo direito da terra. São mulheres se empoderando na sociedade.

Provando que qualquer espaço cabe a elas. É a força das mulheres que estão fora da política e não querem só entrar: querem derrubar o muro do machismo, do patriarcado, querem ser candidatas, são Mulheres de Todas as Lutas.
A campanha “Sou Mulher, Não sou Laranja” mostrou bem isso: ela se coloca contra as candidaturas de mulheres que emprestam seus nomes, mas na verdade estão a serviço de um esquema com outras pessoas.

Com suas candidaturas consolidadas, grandes ou pequenas, as Mulheres de Todas as Lutas construíram uma plenária que teve a participação de mais de 70 aspirantes a vereadora, prefeita e vice-prefeita da Bahia e de outros estados do Brasil.

Monitorando e fortalecendo a luta dessas mulheres nessa disputa que ainda é tão desigual, estamos dando suporte a essas companheiras e sua equipe de coordenação de campanha com oficinas de comunicação, questões jurídicas e planejamento, porque acreditamos no potencial desse grupo.

Com a aproximação do período eleitoral, o programa “Hora das Mulheres” se tornou o “Hora das Mulheres na Política”, também como forma de potencializar e mostrar à Bahia mulheres candidatas e com compromisso social. Essas mulheres estão em mais de 20 territórios de identidade dos 27 que compõem o Estado da Bahia.

Esses são apenas alguns movimentos que esse grupo de mulheres conseguiu organizar, consolidando uma rede de apoio e orientação, dando subsídio para que outras mulheres tenham mais autonomia, respeito e dignidade.
É sobre isso que estamos falando, a luta organizada para mudar a vida de todas as mulheres.

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