Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

É preciso replantar e recuperar o Velho Chico

Participei, no final de julho, em companhia do governador Rui Costa e do senador Otto Alencar, do lançamento de um promissor projeto de plantio de mudas no município de Bom Jesus da Lapa, chamado Reviveiro Velho Chico, parceria da prefeitura e da ONG Fábrica de Florestas, com o apoio de duas grandes empresas privadas.

O projeto, que é de educação ambiental, inclui o cultivo e plantio de mudas nativas nas áreas desmatadas, a partir de viveiros localizados em escolas municipais nas margens do São Francisco – dos quais o primeiro foi este inaugurado na semana passada, na Escola Nossa Senhora Aparecida, em Bom Jesus da Lapa. A grande importância do projeto está justamente em seu caráter multiplicador. Replantar as matas ciliares é uma das principais estratégias para recuperar esse nosso imenso patrimônio.

Revitalizar o São Francisco, contudo, é tarefa que exige esforço e uma dedicação, além, é claro, de um conjunto de estratégias de curto, médio e longo prazos, voltadas para a sustentabilidade do rio, que possam garantir a vida em suas águas e permitir o seu uso econômico sustentável.

O Velho Chico tem que continuar irrigando terras e gerando energia. É preciso voltar a navegar nele, dragar seu o canal, resgatar a navegação. Mas é necessário, antes de tudo, replantar suas matas ciliares, repovoar de peixes as suas águas e fazer o tratamento sanitário das cidades ao longo de suas margens e dos seus afluentes, retirando os esgotos hoje lançados diretamente no rio.

Para que o São Francisco possa voltar a sustentar suas populações ribeirinhas, a alimentá-las com fartura de peixes e frutas, a gerar ocupação e renda com a pesca e a fruticultura irrigada, a proporcionar riqueza para todo o Nordeste, é preciso antes recuperar e revitalizar o rio. Essa é uma luta de todos os baianos. Essa, hoje, é uma das prioridades da minha atuação política.

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