Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

Imunizar o produtor rural é prioridade

Após mais de um ano de pandemia, conseguimos passar esse período sem, em momento algum, termos qualquer risco à segurança alimentar do país. Essa conquista se deve ao trabalho de toda a cadeia produtiva da agropecuária, do setor primário às agroindústrias, que não pararam de trabalhar em momento algum, mesmo produtores e trabalhadores rurais expostos ao risco.

Acontece, porém, que mesmo sendo um setor fundamental da sociedade, não houve a inclusão dos trabalhadores e produtores rurais entre os prioritários no PNI (Plano Nacional de Imunização).

Não há quem discuta a importância de priorizar a imunização dos profissionais de saúde, que estão diretamente no combate à pandemia, da segurança pública, educação, limpeza e pessoas com comorbidades, mas qual é o argumento para a não inclusão, até o momento, de quem faz parte da cadeia produtiva que leva o alimento à mesa do brasileiro ter ficado de fora?

A Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia, presidida pela deputada estadual Jusmari Oliveira, e que tenho a honra de compor, em audiência pública realizada agora em junho com a participação do presidente da FAEB, Humberto Miranda, presidentes de associações e sindicatos e lideranças de diversos municípios, decidiu que vai solicitar a inclusão de produtores e trabalhadores rurais como prioritários nos planos de imunização.

Encaminharemos ofício ao Ministério da Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde para a inclusão dos trabalhadores da agropecuária nos planos nacional e estadual de vacinação o mais rápido possível.

Entendemos a importância da manutenção da vacinação por idade, com a reserva de 70% das doses disponíveis, e reconhecemos a necessidade de imunização de outras categorias profissionais, mas não concordamos em deixar de fora os produtores e trabalhadores rurais que, mesmo com todos os riscos impostos pela pandemia, jamais deixaram de cumprir com suas obrigações com a segurança alimentar do país.

Mesmo com os riscos da contaminação com o agravamento das cepas do novo coronavírus e as dificuldades logísticas impostas pelas medidas adotadas para evitar a disseminação da COVID-19 em estados e municípios, a agropecuária brasileira não parou em momento algum.

Em 2020, mesmo com a pandemia e sem o início da vacinação em nosso país, a agropecuária ampliou, conforme dados do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), para 26,6% sua participação no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Em 2019 esse número era de 20,5%.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que no primeiro trimestre de 2021 a agropecuária registrou alta de 5,7% quando comparado com os últimos três meses do ano passado.

Os números da agropecuária nacional mostram como o setor presta um serviço essencial ao país. A imunização prioritária de trabalhadores e produtores rurais significa manter a atividade responsável pela segurança alimentar da população, a geração de milhões de empregos e o saldo positivo na balança comercial do país.

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