Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

Reformas já

O ano mudou, mas os fogos de artifícios, a roupa branca e as felicitações de feliz 2021 infelizmente não são suficientes para trazer o Brasil de volta ao rumo. Seguimos em um dos momentos mais delicados de nossa história, com uma pandemia que já matou quase 0,1% da população brasileira em 10 meses e a economia com índices muito preocupantes. Mas mesmo esse cenário sombrio não tem sido suficiente para agilizarmos as necessárias reformas estruturais para desafogar o setor produtivo e ajudar na criação de postos de trabalho.

Vivemos há seis anos uma crise política e econômica que trouxe reflexos muito negativos à população. A retração do consumo do mercado interno impacta diretamente no setor produtivo, que, sem as reformas, tem milhares de empresas em dificuldades ou fechando as portas, resultando na perda de milhões de empregos.

A última vítima foi a FORD, gigante do mercado automobilístico, que resistiu por mais de 100 anos no país, mas, face às dificuldades vivida pelo setor desde 2015 e a falta de perspectiva, aliada à mudança na estratégia comercial da empresa, decidiu encerrar as atividades no Brasil. O resultado é mais desemprego na cadeia produtiva e sérios problemas à economia baiana.

No Brasil, o setor automobilístico empregava, em 2013, cerca de 135 mil trabalhadores. Esse número caiu para 106 mil postos de trabalho em 2019. Neste mesmo período o faturamento recuou de 87,2 bilhões de dólares para 54 bilhões de dólares. Mais de 88% da produção nacional é absorvida pelo mercado interno, que vive uma crise econômica prolongada.

Desde 2015 foram fechadas 36,6 mil fábricas, o que equivale à terrível marca de 17 por dia, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. As gigantes Sony e Mercedes-Benz estão neste grupo

Está mais do que provado que a reforma tributária não tem bandeira partidária ou viés ideológico. Ela é um dos pilares para devolvermos à população a esperança da retomada do crescimento. Não há mais como esperar. Esse assunto precisa ser prioridade no Congresso Nacional em 2021.

A excessiva carga tributária nacional sobre o setor produtivo é um grande problema, principalmente aos mais carentes, que são prejudicados nas duas pontas: no consumo, onde destinam a maior parte de sua renda; e na oferta de empregos, já que as empresas são asfixiadas com os impostos e reduzem sua capacidade de gerar postos de trabalho.

O peso tributário colocado na produção e as debilidades de infraestrutura logística tornam nossos produtos pouco competitivos internacionalmente e oneram o mercado interno.

A baixa capacidade de investimento em infraestrutura do Estado Brasileiro tem como uma das raízes seu tamanho. Não é mais possível acreditar que certos serviços não sejam prestados pela iniciativa privada, deixando a União, estados e prefeituras responsáveis pela regulação. É claro que as áreas estratégicas devem ter exploração do setor público.

A pandemia escancarou nossas desigualdades e a urgência das reformas. Os resultados econômicos da última década são muito ruins e não é mais aceitável postergá-las, por qualquer motivo que seja.

Como presidente da Frente Parlamentar do Setor Produtivo da Bahia, vou trabalhar ao lado das entidades do setor e agentes públicos no âmbito estadual e federal para oferecermos aos empresários e trabalhadores as ferramentas necessárias para a retomada do crescimento em nosso país.

Comentários