Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

VACINAR, VACINAR E VACINAR

Todos já conhecem os erros e acertos cometidos por nosso país na pandemia. Após mais de nove meses do início da vacinação, estamos, neste final de setembro, segundo dados do consórcio de veículos de comunicação, com mais de 40,7% da população com o esquema vacinal completo (duas doses ou dose única) e 67,84% com pelo menos uma dose.

Somadas a primeira e a segunda dose, a única e o reforço, já são mais de 231,5 milhões de imunizações aplicadas nos braços dos brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada em julho, 94% da nossa população tomou a vacina ou pretende fazê-lo quando chegar o seu momento, número muito superiores a países desenvolvidos.

Agregar a adesão da população à vacina, nossa capilaridade do sistema nacional de saúde nos rincões deste país e a chegada de milhões de doses é um ativo nacional que não podemos desperdiçar nos próximos meses.

Os governos Federal, estaduais e municipais, independente de bandeira partidária, ou aproximação de período eleitoral, precisam ter um mantra: vacinar, vacinar e vacinar.

Seguir o ritmo de imunização é fundamental para reduzir a circulação do novo coronavírus, evitar o surgimento de novas cepas resistentes ás vacinas existentes, salvar vidas e ajudar a retomada econômica de setores que, até o momento, não conseguiram voltar à normalidade.

A expectativa do Ministério da Saúde é que mais 226 milhões de doses cheguem ao país no último trimestre do ano para abastecer o PNI (Plano Nacional de Imunizações) para completar o esquema vacinal de quem falta a segunda dose e o reforço das faixas etárias e setores prioritários estabelecidos.

Muitas atividades econômicas, apesar de todos os prejuízos causados pela pandemia, voltaram a funcionar com protocolos de segurança estabelecidos pelas autoridades sanitárias, o que tem ajudado a recuperação gradativa dos empregos perdidos por causa da COVID-19.

Mas sem o avanço rápido da grande maioria da população com o esquema vacinal e o reforço completos, outras atividades podem não suportar nem mais um dia, como é o caso dos setores culturais e de lazer, que estão, há quase dois anos, completamente paralisados.

É por isso que precisamos iniciar, o mais rápido possível, a obrigatoriedade do passaporte sanitário para locais fechados, como tem ocorrido em diversas cidades do mundo. Assim, somado aos protocolos de segurança, poderemos aumentar a adesão à vacina, diminuir a circulação do vírus e retomar as demais atividades econômicas.

Precisaremos aprender a conviver com o novo coronavírus e, infelizmente, para que não percamos mais vidas e soframos uma derrocada econômica, é necessário impor algumas medidas que garantam a segurança de todos.

Votaremos nos próximos dias, na Assembleia Legislativa da Bahia, projeto de lei impondo a obrigatoriedade da apresentação do passaporte sanitário para ter acesso a locais, como tem ocorrido em diversos locais do mundo. É simples e bom para todos.

Sou totalmente favorável à medida pois entendo que o bem comum é um direito que se sobrepõe a interesses ou convicções pessoais. Vacinar, usar máscaras e respeitar protocolos sanitários, enquanto houver riscos causados pelo novo coronavírus, são fundamentais para garantirmos o mínimo de normalidade.

Como presidente da Frente Parlamentar do Setor Produtivo, acredito que o passaporte sanitário é a garantia, a curto, médio e longo prazo, de que manteremos milhares de empresas e milhões de empregos.

Enquanto cobramos dos poderes públicos a agilidade na disponibilidade de vacinas, é necessário também colaborar com as medidas que têm mostrado eficiência no combate à disseminação do novo coronavírus.

Comentários