Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

Vitória do setor produtivo baiano

Foi resolvido neste mês de novembro um grave problema que poderia debilitar muito o setor produtivo baiano. A PETROBRAS anunciou que arrendou à Proquigel Química, por 10 anos, com possibilidade de renovação por igual período, as FAFENs (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados) da Bahia e Sergipe. Os terminais de amônia e ureia do Porto de Aratu também entraram no acordo.

Mas até chegarmos neste momento de alívio, a luta foi enorme e só saímos vitoriosos porque representantes políticos, setor produtivo e a sociedade civil da Bahia e Sergipe estiveram juntas.

Em junho, na Assembleia Legislativa da Bahia, após uma solicitação feita pelo meu mandato, realizamos sessão especial com a participação de deputados estaduais, federais, presidentes de diversas empresas do polo petroquímico, ex-gerentes da FAFEN, representantes da Associação Comercial da Bahia, FECOMÉRCIO, FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), ABIQUIM Associação Brasileira de Indústria Química), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, COFIC (Comitê do Fomento Industrial de Camaçari), SINDPEQ (Sindicato da Indústria de Produtos Químicos), LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) e muitos outros.

O evento gerou a Carta Bahia/Sergipe, encaminhada ao presidente da República, ministérios de Minas e Energia e Economia, Câmara dos Deputados, Senado e PETROBRAS. Elencamos todos os problemas que seriam causados com o fechamento das FAFENs e apontamos soluções.

A notícia do arrendamento foi recebida com alívio pela cadeia da indústria química, agropecuária e todo setor produtivo estadual. O fechamento definitivo das duas unidades colocaria em risco milhares de empregos, o Polo Petroquímico de Camaçari, a segurança alimentar do rebanho nordestino e até a saúde de brasileiros que sofrem de problema renal.

A competitividade e viabilidade do Polo Petroquímico de Camaçari estão intimamente ligadas à FAFEN, que faz parte de um polo integrado.

Dutos saem da FAFEN e levam CO2, amônia e ureia diretamente às empresas. Essas matérias-primas são fundamentais à manutenção dos empreendimentos instaladas no já combalido Polo Petroquímico de Camaçari.

A decisão da PETROBRAS de colocar a FAFEN para hibernar e só depois fazer o arrendamento colocou em risco vidas humanas. A CARBONOR, única fabricante de bicarbonato de sódio para uso em hemodiálise, utilizado por 130 mil pacientes, precisou adquirir CO2 em outros mercados, o que aumentou muito o custo de produção.

As FAFENs são responsáveis pela produção de 20% dos adubos nitrogenados no país. É um risco, principalmente para um país que é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, depender completamente do mercado internacional, muitas vezes instável.

Mais uma preocupação com o encerramento das atividades da FAFEN é que os pecuaristas não encontrariam no mercado brasileiro a ureia pecuária, utilizada na complementação alimentar dos rebanhos. Outros países não têm interesse em fabricar o produto, que não suporta a umidade do transporte.

Não sou de chorar pelo leite derramado, mas também não posso, como homem público que tem responsabilidade em trabalhar pela manutenção de empregos e fortalecimento da economia baiana, deixar de apontar que a PETROBRAS poderia ter feito o arrendamento das FAFENs desde o início do processo, como ocorreu agora. Mas preferiu interromper as atividades, o que causou prejuízos enormes ao Estado.

Como presidente da Frente Parlamentar do Setor Produtivo: Agropecuária, Indústria, Comércio e Serviços, fico feliz em saber que a luta valeu à pena. Parabenizo todos os trabalhadores, empresários, representantes políticos e a sociedade civil que estiveram juntos e são responsáveis por conseguir manter as FAFENs em funcionamento.

Comentários