Foto: Dida Sampaio/Estadão
Luciano Bivar 10 de outubro de 2019 | 06:42

Relação de Bolsonaro e Bivar evoluiu de afagos para alfinetadas; veja frases

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Jair Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, vivem agora um clima de divórcio. Mas, para ficar no campo de metáforas preferido do titular do Planalto, é possível falar que os dois já tiveram seus momentos de flerte até o casamento.

Frases ditas no passado por ambos contrastam com as mágoas de fim de relação expostas nos últimos dias, em meio à iminente saída de Bolsonaro do partido presidido pelo deputado federal.

O presidente da República detonou a crise ao falar que o cacique do PSL está “queimado pra caramba”. Instalado o conflito, o líder da legenda devolveu um tom abaixo: “Não estamos em grêmio estudantil. Ele pode levar tudo do partido, só não pode levar a dignidade”.

Antes, tudo era diferente.

Em janeiro de 2018, quando os dois anunciaram a ida do então presidenciável para a sigla, sobraram afagos de parte a parte.

Bivar disse que recebia o colega “com muito orgulho”. Bolsonaro afirmou sentir “muita honra” e estar “muito à vontade” ao entrar para as fileiras de “um partido onde existe total comunhão de pensamentos”.

Dias depois do anúncio, em entrevista à Folha, o dirigente da legenda e deputado federal por Pernambuco se derramou em elogios. Descreveu o pré-candidato ao Planalto como um liberal completo.

“Não vejo nada no comportamento dele que contradiga a ideologia liberal, na área econômica ou social”, assinalou Bivar, buscando dirimir dúvidas sobre o perfil do capitão.

Minimizou ainda o apreço de Bolsonaro ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos símbolos da repressão durante a ditadura militar no Brasil, e a afirmação de que só não estupraria a colega Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merecia”.

“Não se deve rotular Bolsonaro por isso. Eu faço alguns elogios ao regime militar também​”, disse o pernambucano na ocasião. “Ele nunca falou que iria estuprar a deputada. Nunca fez nenhuma incitação. Agora, se querem deturpar, paciência”, contemporizou.

A série de palavras dóceis se estendeu também à família. Neste ano, com a elevação da pressão sobre o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Bivar afirmou que Bolsonaro “tem sorte de ter os filhos que ele tem” e que os rebentos do presidente “têm capacidade, retidão”.

Nesse ponto, contudo, parece que ele não mudou de percepção. Nesta quarta-feira (9), no auge da ameaça de rompimento, o presidente da sigla disse achar “muito humildes” os herdeiros do outrora aliado.

Apesar dos abraços que deu em Bivar em 2018 ao oficializar a adesão ao PSL, posando sorridente para as câmeras, Bolsonaro sempre se comportou de maneira mais discreta ao se referir ao dirigente partidário.

Formal, limitou-se a dizer na época da filiação que fez “um acordo maravilhoso” com o líder do partido.

Em um vídeo disponível no YouTube gravado após fechar a parceria, o então presidenciável desfia planos para a campanha e encerra: “É muito bom conversar com pessoas como Luciano Bivar”.

Em outra rara menção pública sobre ele, Bolsonaro disse no início do ano eleitoral que acreditava na promessa de Bivar de abrir espaço na direção da sigla ao recém-chegado.

“Confio na palavra dele [Bivar]. Não vou desconfiar dele”, assinalou o hoje presidente da República.

Alheio ao fogo cruzado, o site oficial do PSL destacava até esta quarta-feira uma homenagem a Bivar atribuída a Bolsonaro. Sob a foto do presidente do partido, lia-se a frase lisonjeira: “Luciano não é arquiteto, mas construiu a ponte para a mudança do Brasil”.

Folha de S.Paulo
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