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Radar do Poder: O trator Wagner, o chilique de Jusmari, a comparação de Otto e o puxadinho do União Brasil

radar do poder | 19 junho 2024

Feridas abertas

Não é só o PSD que anda irritado com o empenho do senador Jaques Wagner (PT) em ampliar o número de prefeitos petistas na Bahia. Há um sentimento em outros partidos de que os movimentos do “bruxo” podem abrir feridas de difícil cicatrização nas eleições de 2026, prejudicando a união do grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Isso porque o senador tem subido em palanques do PT em municípios considerados estratégicos onde há outros concorrentes da base.

Trator Wagner

Recentemente, Wagner participou de atos de pré-campanha em cidades como Bom Jesus da Lapa, Ilhéus, Juazeiro e Conceição do Coité. Em Juazeiro, quinto maior colégio eleitoral, o senador foi ao evento do ex-prefeito Isaac Carvalho (PT), mesmo o petista estando inelegível, o que irritou de uma só vez lideranças do PCdoB, do PV, do MDB e do PSB, siglas com pré-candidatos. “Esse trator Wagner pode atrapalhar, em muito, a unidade lá na frente”, avaliou um deputado da base.

Partido puxador

No final da semana passada, num painel eleitoral organizado pelo PT em Salvador, Wagner deixou claro o objetivo em discurso para a militância e os pré-candidatos da sigla. “Nós precisamos aumentar o número de prefeituras do Partido dos Trabalhadores na Bahia inteira. Esse partido é o puxador”, disse. O senador estava ao lado de Jerônimo e do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

Tríplice coroa

Depois desse evento do PT em Salvador, a tríplice coroa petista na Bahia – Wagner, Jerônimo e Rui – se reuniu reservadamente no Palácio de Ondina, a convite do governador. Segundo informações de bastidor, os três estão em sintonia com o projeto de fortalecer o partido nas eleições municipais. O pleito de 2026 também deve ter virado assunto, uma vez que Wagner colocou, logo depois, Rui no páreo na corrida por uma das cadeiras ao Senado, como revelou o Política Livre (clique aqui para ler).

Bandas do sertão

Quem anda irritado com a “sede de poder” do PT nas eleições municipais é o deputado federal Ricardo Maia (MDB). Nos dois principais redutos do parlamentar – Tucano e Ribeira do Pombal –, os petistas lançaram pré-candidatos com baixa pontuação nas pesquisas, enquanto o parlamentar, que é da base de Jerônimo, tem dois prefeitos na disputa pela reeleição: Ricardo Maia Filho (MDB) e Eriksson Silva (MDB). O deputado acha que é tratado como oposição.

Chilique no oeste

Secretária estadual de Desenvolvimento Urbano, Jusmari Oliveira (PSD) deu um chilique no lançamento da pré-candidatura do ex-deputado federal Tito (PT) à Prefeitura de Barreiras, no final da semana passada. Irritada ao saber da iminência do anúncio de que o vice do seria Emerson Cardoso (Avante), chegou a bater boca com o chefe da Casa Civil, Afonso Florence (PT). A cena aconteceu no fundo do palco do palanque do evento. O secretário estadual e Relações Institucionais, Jonival Lucas, foi testemunha.

Golpe no estômago

O episódio foi tão constrangedor que Jusmari, tão indignada que teria ameaçado um desmaio, sequer discursou no evento, que contou com a presença de Jerônimo. A secretária tinha certeza de que caberia a ela, que retirou o nome da disputa para apoiar Tito, a indicação do vice. Emerson, por sinal, ocupa o posto atualmente na gestão do prefeito Zito Barbosa (União), com quem rompeu porque foi preterido de ser lançado sucessor. Após o rompimento, ele trocou o União Brasil pelo Avante.

Puxadinho do União

O PL, mesmo sendo o partido com mais tempo de TV e fundo eleitoral, acabou se tornando uma espécie de “puxadinho” do União Brasil na Bahia. Nos dez maiores municípios, vai apoiar candidatos do grupo de ACM Neto em sete. Apenas em uma (Porto Seguro), o cenário pode se inverter. A sigla que cresceu sob o espectro bolsonarista tem hoje apenas cerca de 20 pré-candidatos a prefeito em solo baiano, onde o presidente João Roma almeja disputar novamente o governo em 2026.

Lupa no público

Adversários do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) garantem que o emedebista está criando volume nos eventos de pré-campanha convidando lideranças políticas e militantes de movimentos da esquerda oriundos da Região Metropolitana de Salvador e do interior do Estado. Aliados do emedebista, por sua vez, garantem que que isso é pura maldade e não passa de inveja da concorrência.

Tática militar

Depois da exitosa operação para retirar pré-candidatos a vereador de legendas da base de Geraldo Júnior, aliados do prefeito Bruno Reis (União) articulam agora um segundo movimento para minar o adversário na chapa proporcional: convencer uma parte dos postulantes a uma cadeira na Câmara Municipal do lado emedebista a desistir da disputa até as convenções. O foco é diminuir ainda mais o “exército” do emedebista nas ruas.

Ringues da cidade

Os vereadores de Salvador entram em recesso de meio de ano nesta quarta-feira (19), quando a Câmara Municipal vota a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da Prefeitura, pedidos do Executivo para alterações em empréstimos já aprovados e proposições de autoria dos próprios edis, entre moções, honrarias e indicações. Ou seja, a partir de agora e até o início de agosto o clima de disputa eleitoral, que tem sido o motivo de acaloradas discussões em plenário, deve se intensificar nos bairros (ringues) da cidade.

Servir ao chefe

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), acredita que o vereador licenciado Henrique Carballal (PDT), ex-presidente da CBPM, quer agradar “aos chefes” ao dizer que lideranças do tucano estariam apoiando Geraldo Júnior. “Enquanto eu trabalho para servir ao povo, e não a qualquer político, acho que ele, a quem não vejo há muito, quer ser visto e servir a quem ele segue hoje. Mas não me incomodo com isso, e nem fico surpreso ou magoado”, garantiu.

Igual a Carletto

Questionado esta semana pela coluna sobre o G10 da Assembleia e o senador Ângelo Coronel (PSD), o também senador Otto Alencar (PSD) garantiu que o intuito do correligionário é “ajudar o governo Jerônimo”, e não pressionar. “O grupo tem, em sua maioria, deputados estaduais que não votaram conosco em 2022. Coronel fez a mesma coisa que Ronaldo Carletto (presidente do Avante na Bahia), que filiou prefeitos que também não estiveram conosco em 2022. Aí todo mundo vai estar junto em 2026”.

Pauta coletiva

Coronel, por sinal, se encontrou na semana passada, em Brasília, com Jerônimo. A reunião foi uma prévia antes de o senador levar o G10 ao governador. O bloco dos deputados prepara uma pauta conjunta de reivindicações para levar ao morador do Palácio de Ondina. A ideia é evitar que a conversa fique concentrada em temáticas individuais. O grupo não descarta pleitear o comando de uma secretária ou estrutura de segundo escalão.

Herança maldita

Presidente do Solidariedade na Bahia, o deputado estadual Luciano Araújo garante que a prisão do comandante nacional do partido, Eurípedes Gomes Júnior, não afeta a legenda na Bahia. Isso porque Eurípedes era dirigente do Pros, sigla incorporada pelo Solidariedade. “Fizemos uma fusão, e não uma incorporação, por isso não herdamos eventuais problemas legais do Pros. Então, não afeta o nosso partido”, assegurou à coluna.

Pitacos

* Carlos Muniz acredita que a disputa na eleição proporcional será maior no União Brasil e no Republicanos do que no partido dele, o PSDB.

* “Nesses partidos há muitos candidatos de dez mil votos. Na PSDB, o cenário é competitivo, mas a dificuldade é menor”, disse à coluna. Ele mantém o calculo de que a federação formada pelos tucanos com o Cidadania elege de cinco a sete edis.

* Em discurso ontem (18) na Assembleia, o líder da oposição, Alan Sanches (União), disse que a base de Jerônimo tem 43 parlamentares. Na verdade, o número correto é 42. Ato falhou ou Alan já contabiliza no governo o colega Marcinho Oliveira (União)?

* Marcinho, por sinal, votou na sessão desta terça (18) a favor da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada por Jerônimo, contrariando a oposição, que foi contra.

* Aliás, irônico foi ver o PT criticar as ameaças do União Brasil de punir Marcinho pela proximidade com Jerônimo e, ao mesmo tempo, fazer o mesmo em relação ao vereador petista Tiago Ferreira porque o edil foi a uma inauguração com Bruno Reis.

* Sem apresentar qualquer dado concreto, o deputado Hassan (PP) utilizou o plenário da Assembleia para dizer que estão errados os dados do Atlas da Violência, divulgados esta semana pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

* Hassan ficou chateado pelo fato de Jequié, principal reduto eleitoral do parlamentar, ocupar hoje a posição de segunda cidade mais violenta do país. Como é da base de Jerônimo, não quis cobrar ações do governo do Estado.

* Depois de perder a disputa pela cadeira no TCM, no início deste ano, o deputado Fabrício Falcão (PCdoB) decidiu “mergulhar”. Sumiu tanto dos debates em plenário quanto da mídia.

* O Conselho de Ética da Assembleia, presidido pelo deputado Vitor Bonfim (PV), segue parado enquanto o deputado Binho Galinha (PRD), acusado de chefiar uma milícia em Feira de Santana, já planeja até fortalecer as bases nas eleições de outubro.

* Presidente do PV na Bahia, Ivanilson Gomes calcula que o partido vai lançar entre 25 e 30 candidatos a prefeito nas eleições deste ano.