Foto: Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress
08 de agosto de 2020 | 15:00

Aterros se tornaram ideia fixa, mas prioritário é reciclar orgânicos, diz especialista

brasil

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos faz dez anos. Aprovada em agosto de 2010, foi tema de debates que se arrastaram por duas décadas antes de ter um texto final, que é considerado avançado e comprometido com as leis de defesa do meio ambiente no país.

A lei instituiu a hierarquia na abordagem dos resíduos. Diz que é preciso evitar a geração de resíduos em primeiro lugar, indica que é necessário reciclar os materiais após o uso e que só pode ser aterrado o que não é passível de reciclagem nenhuma, e também traçou as bases para o estabelecimento das responsabilidades sociais de cada setor da cadeia de produção e consumo.

Desde que a lei foi aprovada, a produção de resíduos no país aumentou 11% -passou de 71,2 milhões de toneladas por ano para 79 milhões.

Apesar de a coleta ter aumentado, 29 milhões de toneladas são encaminhados para locais inadequados, os lixões, e ao menos 6,3 milhões de toneladas sequer são recolhidos, sendo abandonados no meio ambiente, segundo dados da associação das empresas de limpeza, a Abrelpe.

Mas, embora os lixões sejam um problema ambiental gravíssimo, a discussão focada apenas em acabar com eles e conseguir financiamentos para a construção de aterros é rasa, na avaliação de Antonio Storel.

O fundamental, diz, é reciclar os orgânicos, que são a maior porção do lixo. Tirando os orgânicos e os recicláveis, o que resta, que são os rejeitos, é a única parte que pode ser aterrada. Um volume muito menor. Portanto, para reduzir o tamanho do problema, é preciso fazer a separação doméstica em três frações, no mínimo -recicláveis, orgânicos e rejeitos.

Storel é agrônomo, especialista em gestão e políticas públicas e foi coordenador de Resíduos Sólidos Orgânicos na Autarquia de limpeza urbana na Prefeitura de São Paulo de 2013 a 2016. É consultor Sênior da Humusweb em Gestão Sistêmica de Resíduos Sólidos Orgânicos.

Esteve à frente de uma das experiências mais importantes de tratamento de resíduos orgânicos urbanos do Brasil, o projeto que abriu pátios de compostagem com restos de feiras de rua e poda de jardins e vias públicas. A seguir, trechos da entrevista de Storel.

Folhapress
Comentários