Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
PF encontra R$ 7,2 milhões e ouro com hacker suspeito de ter criado vírus que infecta celulares 26 de fevereiro de 2021 | 12:37

PF encontra R$ 7,2 milhões e ouro com hacker suspeito de ter criado vírus que infecta celulares

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Manhattan nunca viu nada igual. Nas primeiras horas da manhã de 3 de fevereiro, policiais federais encostaram no prédio homônimo à ilha novaiorquina, “o primeiro empreendimento de Cachoeiro com o estilo de hotel cinco estrelas”, com pub, quadra de squash e beauty center.

Ali no Manhattan Residence, numa das vizinhanças mais nobres de Cachoeiro de Itapemirim, o município mais populoso do sul capixaba, agentes apreenderam a maior quantia em espécie da história da PF no combate a fraudes bancárias: R$ 7,2 milhões, separados em bolos de notas de R$ 100 e R$ 50. Também encontraram 1 kg de ouro em barras.

Sairia algemado dali um programador de 32 anos que só sabemos que se chama Igor, pela abordagem filmada num vídeo da ação policial que vazou na internet.

Esse homem sem camisa, escoltado enquanto uma mulher ainda estava deitada na cama e um bebê chorava em outro quarto, é suspeito de ser um dos cinco maiores hackers do Brasil. E ele pode ter criado um vírus que, segundo a corporação, conseguiu um feito tanto inédito quanto assustador.

“Existe uma suspeita de que tenha sido o primeiro hacker no Brasil a desenvolver um programa malicioso, o malware, para infectar smartphone e dar acesso remoto ao atacante”, diz à Folha o delegado Leonardo Rabello, delegado regional de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo.

Os vírus sempre foram uma ameaça à segurança cibernética, mas computadores eram o alvo mais vulnerável. Com o tempo, os problemas chegaram também aos celulares. Mirando os dispositivos móveis, uma quadrilha que teria Igor como cabeça é acusada de roubar milhões de reais por meio de fraudes em bancos diversos.​

As cédulas encontradas pelos policiais no apartamento do acusado são ninharia perto do que a PF desconfia que o esquema tenha movimentado. Boa parte do dinheiro fisgado de contas teria sido lavada com a compra de criptomoedas, bem mais difíceis de serem rastreadas do que uma transação financeira regular.

Solto após pagar uma fiança de R$ 110 mil, Igor estava sob radar dos federais desde maio de 2015, de acordo com Rabello. Naquele mês, deu uma derrapada, por meio da qual a polícia conseguiu detectar o seu nome em transações virtuais criminosas, na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil.

Na operação que o capturou, segundo a PF, Igor recrutava laranjas para aplicar os golpes. Ele próprio não colocava a mão na massa.

Além disso, os malwares eram vendidos para outros grupos criminosos fazerem seus próprios esquemas. Essa prática, comum em outros países, vem ganhando adesão no Brasil nos últimos anos.

Igor Rincon, engenheiro de segurança, explica que as atividades dessas quadrilhas se dão em camadas. Primeiro, vem quem produz o malware. Depois, quem compra esses programas para operar o golpe. Por último, os laranjas que captam o dinheiro roubado. “Quanto mais em cima nessas camadas, mais difícil de detectar, porque a pessoa está menos exposta”, diz.

Folhapress
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