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Geraldo Júnior acerta na escolha de Lídice para coordenar campanha 18 de abril de 2024 | 08:03

Articulada por Jerônimo, escolha de Lídice para coordenadora é primeira bola dentro de Geraldo Jr., por Raul Monteiro

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A surpreendente escolha da deputada federal Lídice da Mata (PSB) como coordenadora de campanha do candidato do MDB à Prefeitura de Salvador, Geraldo Jr., para a qual o governador Jerônimo Rodrigues (PT) trabalhou abertamente, pode ser considerada a primeira bola dentro do vice-governador do Estado desde que foi escolhido por parte da cúpula petista para concorrer ao cargo. Embora as primeiras apostas apontassem para uma participação de maior relevo da ex-prefeita e ex-senadora na campanha do emedebista – havia insinuações de que ela poderia sair candidata a vice em sua chapa -, a indicação não deixa de passar uma melhor impressão ao projeto.

Num certo sentido, é possível dizer que Lídice, embora fora do proscênio em que a disputa se realizará, com sua história de política austera e confiável, de certa forma atenua internamente os problemas de imagem que o candidato registra, principalmente na classe política, onde, à boca pequena, o comentário mais lisonjeiro sobre ele é o de que não repete sentado o que acabou de afirmar em pé. Aliás, era por este motivo que, especialmente entre os líderes petistas que resolveram apostar em seu nome, e os vereadores liderados pelo PT que tiveram que se contentar com a escolha, havia preocupação com a demora para a definição do coordenador.

Por causa da inexistência de vínculos de Geraldo Jr. com a esquerda, defendia-se para a tarefa alguém que, além de credibilidade, pudesse representar o segmento político esquerdista e se dispusesse a fazer o controle direto da relação com os demais partidos da base, assim como o papel de organizador geral da campanha, etapa considerada essencial para acelerar também outra decisão importante relativa ao seu projeto eleitoral. Trata-se da escolha do vice, uma definição em relação à qual, desde o princípio, e por causa da maneira pouco habilidosa com que pavimentou a construção de sua candidatura, Geraldo Jr. parece vir enfrentando problemas.

Exatamente por isso até aqui os sinais são mais de dificuldade do que de tranquilidade para a escolha do companheiro de chapa porque o emedebista encarna a candidatura de oposição – estivesse no governo, como o prefeito Bruno Reis (União Brasil), apontado como favorito pelas pesquisas, teria o tempo que o incumbente utiliza muito bem para anunciar sua escolha. O impasse envolvendo a definição do vice de Geraldo parece girar em torno do fato de que os nomes que seu grupo deseja não estarem dispostos a encarar a aventura e aqueles que pensam em poder ocupar a posição não serem vistos como mais adequados por seu time.

Para completar, o emedebista passou a ter em seu encalço o candidato do PSOL, Kleber Rosa, que, além de transitar com total desenvoltura entre os segmentos que defendem a participação de um candidato negro na sucessão municipal, reivindica para si a condição de representante autêntico das esquerdas com um discurso que afasta de Geraldo Jr. a possibilidade de buscar representar tanto uns quanto outros eleitoralmente em Salvador. Os questionamentos que o emedebista já começa a enfrentar nas redes sociais por causa da fragilidade evidente nos dois quesitos conformam uma tendência que deve apenas se intensificar até outubro.

*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*
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