Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

O setor produtivo precisa estar pronto

Não há dúvidas que é a ciência quem deve nortear as autoridades sanitárias em suas decisões para definir o momento correto e os protocolos necessários à reabertura econômica. Só baseados em informações científicas podemos minimizar os riscos de uma nova onda de infecção pelo novo coronavírus. Porém, enquanto esse momento não chega, precisamos preparar os setores produtivos à nova realidade dos próximos meses.

Por enquanto, a única certeza que temos é que nada será como antes até que uma vacina seja descoberta e capaz de imunizar ao novo coronavírus a população mundial. Independente da função na sociedade ou preferência partidária, todos nós sabemos que a economia nacional precisa voltar à normalidade.

Os números de infectados e mortos no Brasil são assustadores e mostram a gravidade da pandemia. Os governos municipais, estaduais e federal têm que priorizar ações de saúde neste momento. Mas, por outro lado, os dados econômicos são perturbadores. O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que o PIB brasileiro sofra uma queda de 9,1% em 2020, índice muito superior à média mundial. É, sem dúvida nenhuma, um dos momentos mais críticos da economia republicana nacional.

Não acredito serem antagônicas as preocupações sanitárias e a reabertura de setores da economia. Com a orientação de especialistas médicos, é possível garantir a vida e permitir que indústria, comércio e serviços possam voltar a funcionar de forma gradativa.

Sei que o atual momento da pandemia no Brasil não é igual aos de países europeus ou asiáticos, por exemplo. Mas eles também passaram por momentos difíceis e têm experiências exitosas para nos ensinar em como reabrir setores da economia com os cuidados necessários para diminuir os riscos de contaminação pelo novo coronavírus.

Como presidente da Frente Parlamentar do Setor Produtivo: Agropecuária, Indústria, Comércio e Serviços, tenho dialogado com o secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, para que guias, monitores e condutores turísticos sejam capacitados conforme recomendam as autoridades sanitárias para atenderem os turistas corretamente no momento em que houver a reabertura do setor, fundamental à economia de diversos municípios baianos.

Tenho tratado do mesmo assunto com o presidente da FECOMÉRCIO, Carlos Andrade, para a capacitação dos donos e funcionários de pousadas, restaurantes e bares no Estado.

Essas ações que tenho tomado são apenas alguns exemplos de como podemos preparar o setor produtivo nacional para funcionar alinhado à nova realidade. Precisaremos nos adequar, não resta dúvida, se quisermos a reabertura gradual da economia.

A agropecuária é um excelente exemplo de setor que conseguiu manter a atividade com o mínimo de riscos de contaminação aos trabalhadores com medidas como a redução de pessoas ao mesmo tempo nos refeitórios, transportes e ambientes comuns, adoção de máscaras, álcool em gel a 70% e equipamentos de proteção, higienização dos setores e outras medidas.

Sabemos que mesmo com todos os cuidados, existe a possibilidade de contaminação. Porém, passados mais de 100 dias de distanciamento social, é inevitável, e até irresponsável, não começarmos a elaborar estratégias para a retomada econômica quando as autoridades sanitárias derem o sinal verde.

O setor produtivo não é inimigo do combate ao novo coronavírus e está disposto a acatar as medidas sanitárias eficientes e necessárias para minimizar os riscos de contaminação e permitir que milhões de empregos sejam retomados.

Acredito que o momento é de alinhar os bons exemplos de outros países à inventividade e força de vontade do setor produtivo e do trabalhador brasileiro. Só assim conseguiremos superar esse momento de crise no país.

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