Adriano Peixoto

Relações de Trabalho

Adriano de Lemos Alves Peixoto é PHD, administrador e psicólogo, mestre em Administração pela UFBA e Doutor em Psicologia pelo Instituto de Psicologia do Trabalho da Universidade de Sheffiel (Inglaterra). Atualmente é pesquisador de pós-doutorado associado ao Instituto de Psicologia da UFBA e escreve para o Política Livre às quintas-feiras.

Teorias Conspiratórias

Eu tenho alguns conhecidos que acreditam piamente em teorias conspiratórias. Para eles existem organizações secretas e governos que planejam e deliberadamente encobrem ações ilegais ou clandestinas que tem por objetivo esconder a verdade ou manter algum tipo de controle sobre os cidadãos. Normalmente são pessoas engraçadas que proporcionam boas risadas defendendo que o homem nunca foi à lua e que as imagens que conhecemos foram gravadas em estúdio. Eles também argumentam sobre o porquê de não se voltar à lua já que a tecnologia avançou tanto. Mas não é que estas pessoas podem estar certas e que devemos nos preocupar com a possibilidade de estarmos sendo manipulados por governos e organizações cujos interesses não estão claros?

Um artigo publicado nos anais da Academia de Ciências Norte Americana na semana passada disparou a controvérsia no mundo científico. Uma equipe de pesquisa do facebook em parceria com cientistas das universidades de Cornell e Berkerly, nos Estados Unidos, apresentou o resultado de um estudo realizado com cerca de setecentos mil usuários do aplicativo que buscava identificar se era possível induzir emoções através da rede social. A pesquisa consistia na manipulação das palavras do feed de notícias dos usuários, sem que eles tivessem conhecimento do que estava acontecendo. Quando o número de expressões positivas era reduzido, as pessoas reduziam o número de postagens positivas e aumentavam o número de postagens negativas. O mesmo padrão foi observado na direção contrária. Os resultados forneceram evidências empíricas de que emoções expressas por outras pessoas no facebook influenciam nossas próprias emoções e que elas podem ser transmitidas (e manipuladas) em larga escala pelas redes sociais.

Na sequência do debate que se instalou a Sociedade Britânica de Psicologia publicou nota levantando questões éticas relacionadas a manipulação experimental sem que os usuários tivessem conhecimento do que estava acontecendo. Já pesquisadores Neo Zelandeses argumentaram que a pesquisa, como realizada, teve o potencial de produzir forte stress emocional nos participantes. Em uma nota, o facebook se defendeu dizendo que ao aceitar abrir uma conta o usuário concorda em participar de suas pesquisas (está lá escrito nos termos e condições, aquela parte que todo mundo pula sem ler!), que o estudo foi localizado no tempo e que nenhuma informação que permitisse identificar diretamente o usuário foi coletada.  A alegação do facebook é a de a pesquisa deles atendeu os critérios básicos relacionados à ética na condução de pesquisas, seja nos EUA, seja na Europa. Eles estão certos. Mas mesmo assim, a pesquisa causou grande desconforto e forte reação.

Um ponto que emerge de forma clara dessa discussão é a existência de um componente social que emergiu neste estudo e que parece estabelecer novos parâmetros para condução de pesquisas com pessoas. Já um segundo aspecto interessante é a constatação, mais uma vez, de que somos manipulados constantemente e que não temos plena consciência do que acontece ao nosso redor. E por fim, precisamos refletir sobre a forma e o alcance que determinadas instituições têm sobre os mais variados aspectos de nossa vida cotidiana estabelecendo limites sobre elas. Em um mundo conectado talvez seja o caso de levar o pessoal das teorias conspiratórias mais a sério!!!!

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