Lucas Faillace Castelo Branco

Direito

Lucas Faillace Castelo Branco é advogado, mestre em Direito (LLM) pelo King’s College London (KCL), Universidade de Londres, e sócio de Castelo e Dourado Advogados. É especialista em direito tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e em Direito empresarial (LLM) pela FGV-Rio. Atualmente é Aluno Especial do mestrado em Contabilidade da UFBA. É, ainda, membro do Instituto dos Advogados da Bahia.

Uma atitude exemplar

Em meio a tantas notícias ruins, tomei conhecimento de uma atitude de notável espírito público e liderança. O Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Villas-Boas, já podendo tomar a vacina, por ser médico, recusou-se a tanto antes que seus subordinados estivessem vacinados.

A atitude, que pode ter custado seu internamento pelo coronavírus, contrasta com a abundância de notícias dos fura-filas de plantão, que se aproveitam de sua condição privilegiada dentro do Estado para fazer valer o princípio da “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

O comportamento do Secretário lembrou-me do exemplo de Alexandre, o Grande. Com sede no meio do deserto com seu exército já exausto, tendo um de seus homens lhe oferecido, em um capacete, escassa água encontrada na fenda de um rochedo, recusou-se a bebê-la, jogando-a na areia.

Não queria Alexandre, como líder, conferir privilégio a si pela posição que ocupava, mas dar o exemplo de que compartilhava com os seus homens, em condição de igualdade, do mesmo infortúnio. Em virtude da ação de Alexandre, seus homens recobraram força para continuar.

Líderes são seguidos, mais do que tudo, pelo exemplo. Não adianta ter um discurso e praticar outra coisa. Ninguém admira um charlatão. Outro grande exemplo disso foi Gandhi. Com sua política de resistência pacífica, punha-se em situação de risco até mais do que seus seguidores, justamente por ser o artífice de tudo. Gandhi tinha mais a perder do que eles, e nem por isso deixava de pôr a cara a tapa, atraindo, assim, multidões.

O exemplo é tão importante que podemos observar, também, o efeito dele na educação das crianças. Crianças, cujo domínio da linguagem ainda é incipiente, não aprendem tanto pelo o que os pais dizem, mas pelo o que observam os pais fazendo. É muito comum os pais darem sermões do mais alto conteúdo moral, quando, em seu cotidiano, agem de forma oposta. É obvio que o que marcará não é o discurso, mas as atitudes diárias que a criança vê.

Se o exemplo dos grandes líderes fosse seguido por nossas lideranças, talvez tivéssemos alguma centelha de esperança de que as coisas melhorassem em um futuro próximo, porque a população é cativada pelo bom exemplo de pessoas de destaque – e igualmente tende a se inspirar no mal exemplo delas. O Brasil é carecedor de pessoas que ocupem postos de visibilidade que tenham alguma coisa boa a inspirar. Infelizmente, a atitude do Secretario vai para o rol de casos isolados.

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