Jacó Lula da Silva

Economia

Mario Augusto de Almeida Neto (Jacó) é técnico em agroecologia. Nascido em Jacobina, aos 17 mudou-se para Irecê, onde fundou e coordenou o Centro de Assessoria do Assuruá (CAA) e a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA). Como deputado estadual (2019-2022), defende as bandeiras do semiárido baiano, agricultura rural e movimentos sociais. Ao assumir a cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia, incorporou o "Lula da Silva" ao seu nome, por reconhecer no ex-presidente o maior líder popular do País. Na Alba, é vice-líder do PT e membro titular das Comissões de Saúde e Saneamento, Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho, Agricultura e Política Rural, e Promoção da Igualdade.

Bahia perto de se tornar zona livre de febre aftosa sem vacinação

O ano de 2021 começou com uma notícia extremamente importante e positiva para a agropecuária, o agronegócio e a agricultura familiar na Bahia. Por meio de uma carta-ofício assinada pelo governador Rui Costa, o Estado comprometeu-se com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a se tornar zona livre de febre aftosa sem vacinação.

Considerada pelos organismos de controle a mais importante doença que afeta os animais, a aftosa é uma enfermidade grave, altamente contagiosa e perigosa, que compromete a qualidade do rebanho, e não é de hoje que a Bahia vem se esforçando para bani-la. Esforço este que tem a marca do governador “Rui Correria” e da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), com o engenheiro civil Luis Maurício Bacelar como diretor-geral.

A Bahia recebeu o status de Zona Livre da Febre Aftosa Com Vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) nos últimos 23 anos de forma consecutiva, e, segundo a Adab, o último surto da doença na Bahia é de maio de 1997. No Brasil, apenas o estado de Santa Catarina possui a certificação internacional, mas Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Acre já deram entrada com o pedido na OIE e não vacinam mais seus rebanhos.

Para assegurar a conquista da desejada mudança de status sanitário em 2023 e promover a implementação das ações e metas previstas no Plano Estratégico do Programa Nacional de Febre Aftosa 2017/2026, o Governo da Bahia contará com os olhos e instrumentos da Adab, que possui 384 escritórios espalhados pelos 27 territórios de identidade do estado. A Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri) e todos os elos da cadeia produtiva em prol do fortalecimento do sistema de vigilância em saúde animal atuarão em conjunto.

São ações que envolvem fiscalização em feiras, frigoríficos e supermercados, educação e conscientização de produtores rurais e sociedade, cursos de capacitação, num esforço de prefeituras municipais, vigilância sanitária, serviços veterinários e comerciantes. Desafio ainda maior porque atravessamos uma pandemia global.

A garantia de rebanhos imunizados é sinônimo de segurança sanitária, valorização dos nossos produtos, mais emprego e renda e alcance em mercados tão exigentes no exterior. Segundo Mauricio Bacelar, diretor da Adab, muitos países interessados em exportar sua carne não encontram mercado por não apresentarem status sanitário adequado, e o da Bahia, em breve, será diferenciado.

Por unanimidade, dirigentes das agências de defesa agropecuária de 11 estados que integram o Bloco 4 dos trabalhos do PNEFA (Plano Nacional de Vigilância da Febre Aftosa) – além da Bahia, fazem parte Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal -, decidiram requerer ao MAPA a retirada da vacina contra a doença após a segunda etapa da campanha, no final do ano de 2021. Alegaram o cumprimento das ações exigidas para controlar a enfermidade. O pedido não foi acatado, e será renovado em 2022. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, será um ganho comercial grande num grupo que reúne sozinho mais de 130 milhões de cabeças de gado.

A imunização contra a febre aftosa envolve bovinos e bubalinos de todas as idades e acontece em duas etapas ao longo do ano. Em 2020, a Bahia vacinou na primeira etapa no mês de maio, 93,65% do seu rebanho, e em novembro, 93,99%. O estado alcançou a nota 1.1, uma das menores pontuações do país na avaliação de probabilidade de risco para reintrodução da doença, em escala que vai até 5, estimada pelo MAPA.

Desde 2019 à frente da direção-geral da Adab, Mauricio Bacelar elegeu a educação e a integração do governo com produtores como principais ferramentas de conscientização sobre as ações da autarquia. O resultado do seu trabalho é fato. Se hoje a agência é referência nacional na defesa da agropecuária, isso se deve à sua equipe técnica e à capacitação nos municípios dos serviços de inspeção de produtos de origem animal e sua comercialização, combate à aftosa e brucelose com imunização do rebanho bovino, dentre outras atividades.

Não cansamos de dizer que, para o nosso mandato, os movimentos sociais e o homem do campo, o Governo da Bahia tem feito uma verdadeira revolução no desenvolvimento rural e fortalecimento da agricultura familiar. Cabe aqui também dizer que, apesar de cenário de descaso e destruição de uma série de políticas públicas, programas e projetos por parte do Governo Federal, estamos começando 2021 com mais esperança. O compromisso que a Bahia assume de tornar o estado zona livre da aftosa sem vacinação é um marco na história da nossa pecuária, indústria e economia.

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