Eduardo Salles

Agronomia

Eduardo Salles é engenheiro agrônomo e mestre em engenharia agrícola pela Universidade Federal de Viçosa, ex-secretário de agricultura da Bahia e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Agricultura (Conseagri). Foi presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia e também da Câmara de Comércio Brasil/Portugal e é, há 14 anos, diretor da Associação Comercial da Bahia. Ele escreve neste Política Livre quinzenalmente, às quartas-feiras.

Monilíase é um risco à agropecuária baiana

Cerca de 69 mil produtores rurais em mais de 80 municípios baianos estão preocupados com a descoberta da monilíase do cacaueiro no município de Cruzeiro do Sul, no Acre. Como engenheiro agrônomo, ex-secretário estadual de Agricultura, ex-presidente do CONSEAGRI (Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Agricultura) e deputado estadual, posso afirmar que a praga pode trazer enormes prejuízos econômicos à Bahia, segundo maior produtor nacional de cacau com uma área de 450 mil hectares plantados e produção de 110 mil toneladas, conforme a CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira).

Aproximadamente 80% dos produtores baianos têm menos de 10 hectares e, além de produzir as amêndoas secas, a Bahia possui 70 marcas de chocolate. Estabelecer ações de defesa vegetal estruturantes são necessárias e urgentes para evitar consequências econômicas, sociais e ambientais no sul do Estado. Dados mostram que para cada tonelada de cacau que deixarmos de produzir, perderemos 2,2 postos de trabalho e R$ 3,5 bilhões.

Defendo que a Superintendência do Ministério da Agricultura atue em conjunto com a Secretaria Estadual de Agricultura para evitar que qualquer material contaminado entre na Bahia, capacitação o mais rápido possível para produtores e técnicos que trabalham na cadeia produtiva, aquisição de material para a coleta de frutos infectados e de biossegurança e produção de conteúdo para disseminação de informações sobre a praga.

O momento é de mobilização total e os governos estadual e federal devem atuar junto aos municípios dos territórios de identidade do Baixo Sul, Litoral Sul, Costa do Descobrimento, Extremo Sul e Vale do Jiquiriçá.

A informação correta é nossa principal aliada. Os secretários municipais de Agricultura, presidentes de associações e sindicatos, os trabalhadores das empresas da cadeia produtiva e a população precisam entender os riscos da monilíase e saberem qual é o manejo adequado. Os monitoramentos em portos, aeroportos e terminais rodoviários têm que ser rígidos. Defendo uma verdadeira operação de guerra. Não podemos deixar que outra praga coloque em risco a economia do sul da Bahia.

Enquanto retardamos ao máximo chegada da monilíase, precisamos, com urgência, iniciar pesquisas para termos material resistente à praga e com capacidade de produção. É uma corrida contra o tempo.

Vou propor aos meus colegas da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia reuniões com os órgãos de fiscalização fitossanitária dos governos federal e estadual para aplicar com a maior urgência possível medidas de controle que evitem a disseminação da praga e consigamos muito em breve ter cacaueiros resistentes à monilíase.

Quando fui secretário estadual de Agricultura, firmei, ainda em 2012, convênio de cooperação técnica com a Secretaria de Agricultura do Acre para ações preventivas que evitassem a disseminação da monilíase.

Fizemos um pacto com todos os estados do Norte, pois é a região onde a praga pode entrar, e construímos com a ADAB (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia) um plano com estratégias de contingenciamento para tentar evitar que a monilíase chegasse à Bahia.

A doença afeta plantas do gênero Theobroma, como o cacau (Theobroma Cacau) e o Cupuaçu (Theobroma Grandiflorum), e causa perdas de até 100% da produção, pois ataca o fruto e o fungo tem grande capacidade de disseminação, mas não causa danos à saúde humana. A praga já está presente no Equador, Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia.

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