Fabrício era o mais indignado. Outro deputado disse, no grupo de WhatsApp dos governistas, que os secretários se acham "poca-zoi" 15 de maio de 2020 | 10:14

Em grupo de WhatsApp, governista chama secretário de Rui Costa de “Filho da p”

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A pandemia do coronavírus parece ter mexido negativamente com o humor dos deputados baianos, piorando uma relação que já não era boa com o governo e os secretários do governador Rui Costa (PT).

Num grupo de WhatsApp da bancada governista, ontem, a irritação aflorou e sobrou para vários deles, em especial para Fábio Villas Boas, da Saúde, que está, portanto, na linha de frente do combate à Covid 19 no Estado.

Com uma agressividade que não se via até recentemente, os deputados voltaram a se queixar de que não são atendidos e, mais do que isso, de que permanecem sendo flagrantemente desrespeitados.

A indignação transbordou até para a sessão virtual da tarde, onde deputados como Júnior Muniz (PP) abriram o verbo contra o titular da Saúde.

No entanto, a crítica mais dura, em tom de desabafo, foi do deputado estadual Fabrício Falcão, do PCdoB, que resolveu gravar duas mensagens de áudio para o grupo protestando contra o governo.

E ainda disse que pouco se importava de que o conteúdo fosse vazado. Para piorar a situação, o deputado Alan Castro tentou apaziguar o grupo, informando em áudio que tratara do assunto de Fabrício e Júnior com o secretário e prometendo que ele lhes ligaria.

Os deputados terminaram achando que era um desaforo Villas Boas falar com Alan, que é médico e tem clínica, e não atendê-los.

“Meu querido Alan Castro, acho que você agora virou secretário do secretário Fábio Villas Boas. Esse secretário não me representa”, reagiu Fabrício.

O comunista relatou ainda que há três dias ele o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB) tentavam falar com o titular da Saúde. “Para mim, ele não existe como secretário nem figura pública”, declarou.

Fabrício lembrou que dirigiu todas as emendas a que tem direito como parlamentar para a Saúde, assim como os demais deputados da bancada governista, totalizando R$ 140 mi para a pasta.

“Se conseguem falar com ele é porque são os apadrinhados. Ele é frio, desrespeitoso, não gosta de político, não gosta de quem tem voto nem mandato (…). Não devo merda nenhum a nenhum f. d. p. como ele”, declarou.

Na sessão de ontem, Júnior Muniz protestou contra o fato de o secretário ter se referido, numa transmissão por vídeo, a uma liderança de Jacobina e não a ele, que empenhou emendas para respiradores na cidade.

“Peço presidente, que faça uma interferência junto ao secretário para que atenda os deputados”, disse o parlamentar.

No grupo de WhatsApp, Fabrício recebeu apoio explícito do deputado Roberto Carlos (PDT). “A maioria dos secretários e de alguns órgãos do Estado nos desrespeitam todos os dias e ninguém toma providência”, afirmou, numa referência velada também ao governador.

Roberto Carlos disse que há dois anos tenta falar com o chefe da Procuradoria Geral do Estado, Paulo Moreno, e não consegue.

Samuel Jr., do PSD, também foi outro que protestou. “Eu venho falando esse assunto há dias. Eles (os secretários) deveriam estar nos auxiliando no mandato, alguns deles são “senhores” e se acham “poca-zoi”, disse.

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