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Após convite a "todes", Risério diz que não vai a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa
Após convite a "todes", Risério diz que não vai a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa
Por Davi Lemos
27/07/2021 às 16:30
Foto: Divulgação / Flip / Arquivo

O historiador e antropólogo baiano Antônio Risério foi ao Facebook nesta terça-feira (27) para dizer que não irá à reinauguração do Museu da Língua Portuguesa após o convite feito, na conta oficial da instituição no Twitter, em 12 de julho, "para todas, todos e todes os falantes, ou não, do nosso idioma". "Soube que o convite para a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa traz logo de cara um "todes" (e não um nescaus). Fiz o projeto original da instituição e me empenhei na reconstrução. Mas me recuso a ir à reinauguração do MLP", escreveu Risério em sua conta no Facebook.
"Um museu da LÍNGUA PORTUGUESA [destacou o antropólogo com letras maiúsculas] não pode entrar em campo com uma agressão à própria língua que ele encarna - e agressão na base de um modismo cretino importado do diversidentitarismo norte-americano. Como diria o velho Cervantes, é mais um exemplo 'de la idiotez del mundo'", escreveu o antropólogo baiano.
A utilização da "linguagem neutra" na postagem do Museu causou reação do Secretário Especial da Cultura, Mário Frias. "O governo federal investiu R$ 56 milhões nas obras do Museu da Língua Portuguesa para preservarmos o nosso patrimônio cultural, que depende da preservação da nossa língua. Não aceitarei que esse investimento sirva para que agentes públicos brinquem de revolução. Tomarei medidas para impedir que usem o dinheiro público federal para suas piruetas ideológicas. Se o governo paulista se comporta como militante, vandalizando nossa cultura, não o fará com verba federal", escreveu Frias na sexta-feira (23).
Em comunicado oficial divulgado também da sexta (23), a instituição destacou que "desde sua fundação, em 2006, o Museu da Língua Portuguesa se propôs a ser um espaço para a discussão do idioma, suas variações e mudanças incorporadas ao longo do tempo. Sempre na perspectiva de valorizar os falares do cotidiano e observar como eles se relacionam com aspectos socioculturais, sem a pretensão de atuar como instância normatizadora".
"Nesse sentido, o Museu está aberto a debater todas as questões relacionadas à língua portuguesa, incluindo a linguagem neutra, cuja discussão toca aspectos importantes sobre cidadania, inclusão e diversidade", informou o Museu da Língua Portuguesa, no referido comunicado.
