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'As conversas estão se estreitando muito, inclusive candidatos têm conversado até com Geddel', diz Lúcio Vieira Lima

'As conversas estão se estreitando muito, inclusive candidatos têm conversado até com Geddel', diz Lúcio Vieira Lima

Por Mateus Soares

27/12/2021 às 08:41

Atualizado em 27/12/2021 às 08:42

Foto: Reprodução/YouTube

Sem citar nomes ou ao menos pistas para qual lado o seu partido deve seguir, o ex-deputado federal conta que "as conversas estão se estreitando muito"

Um dos caciques do MDB na Bahia, o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima revela, em entrevista a este Política Livre, que pré-candidatos ao Governo do Estado têm procurado seu irmão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, para possíveis alianças no pleito a ser realizado no ano que vem.

Sem citar nomes ou ao menos pistas para qual lado o seu partido deve seguir, ele conta que "as conversas estão se estreitando muito".

"Não é segredo. Ou seja, as conversas estão amiudando e se aprofundando. Eu creio que após essas festas não demore muito, apesar de que o que nós temos muito é uma mudança muito no cenário nacional, por mais que queiram dizer que a campanha não vai ser nacionalizada, é nacionalizada, sim".

Lúcio nega que o MDB aguarda movimentação do PP para decidir o seu futuro político. "Seria verdade se estivéssemos visando apenas cargos. Não é o caso", emenda.

"Não temos nenhuma e nada acoplado a decisão desse ou daquele partido. A nossa decisão depende exclusivamente do MDB e observando o cenário para ver que rumo seguir", garante.

O ex-parlamentar baiano, que não tem mais pretensões em disputar um cargo eletivo, esquiva ao ser questionado se o nome do ex-ministro Sergio Moro (Podemos) - que tem buscado se aproximar do ex-presidente Michel Temer (MDB) - o agradaria para concorrer o Planalto.

"Aí não é questão de agradar ou não. Tem que agradar a população, os eleitores. Agora eu fico muito feliz quando eu vejo essa procura por Michel ou quando vejo aqui na Bahia nos procurar".

Sobre política nacional, ele não faz ponderações negativas quanto a união do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin: "Isso faz parte do que eu disse, tem que esperar muito para exaurir os debates. Porque hoje a gente não está sabendo muito como as coisas estão".

"As coisas estão mudando muito. O que é certo vira errado rapidamente e o que é errado vira certo, então tem que esperar isso começar e ganhar um pouco mais de tempo até para que se case e saiba qual o desejo da população, para se ter uma ideia", acrescenta.

Confira a entrevista na íntegra:

Política Livre: O senhor tem dito que o MDB vai apoiar quem vai ganhar a eleição. Como prever esse resultado?

Lúcio Vieira Lima: Não. Não é quem vai ganhar a eleição. Logicamente que ninguém quer perder a eleição, mas colocado dessa forma parece que eu estou esperando só apoiar quem vai vencer. Eu costumo dizer sempre que eleição muitas vezes você perde ganhando, como ganha perdendo. O que não quero é perder ganhando, porque quem perde é a Bahia. Então eu tenho que ter consciência de apoiar aquele que for melhor, volto a dizer, nós estamos apresentando ideias para serem incorporadas ao programa de governo daquele que nós viermos a apoiar, e nós estamos vendo e examinando quem é que pode ter uma proposta melhor para a Bahia para, baseado nisso, definirmos o nosso apoio. De preferência, na hora que eu for apoiar, eu acho que esse vai ganhar, porque vai ter o nosso apoio. Quando alguém diz que o MDB está com 'fulano', já cresce muito a candidatura dele. Então facilita para ganhar, vou apoiar para ganhar.

O partido definiu um prazo para tomar essa decisão?

As conversas estão se estreitando muito, inclusive candidatos têm conversado até com Geddel. Não é segredo. Ou seja, as conversas estão amiudando e se aprofundando. Eu creio que após essas festas não demore muito, apesar de que o que nós temos muito é uma mudança muito no cenário nacional, por mais que queiram dizer que a campanha não vai ser nacionalizada, é nacionalizada, sim. O MDB, por exemplo, lançou uma candidata, então nós temos que respeitar a vontade do partido. Temos que apoiar a senadora Simone Tebet. Então vai surgindo outras variáveis para serem administradas.

Deputado, é verdade que o MDB aguarda a movimentação do PP para decidir o seu futuro político?

Não. De forma nenhuma. O nosso futuro político não é vinculado a isso. Seria verdade se estivéssemos visando apenas cargos. Não é o caso. Não temos nenhuma e nada acoplado a decisão desse ou daquele partido. A nossa decisão depende exclusivamente do MDB e observando o cenário para ver que rumo seguir.

Acredita que o PP vai marchar com Rui e Wagner ou acredite que pode romper?

Falar de outro partido é muito difícil. Porque cada um tem as suas realidades internas, essas particularidades, etc. Aí seria simplesmente no "achômetro". Se você perguntar sobre o sentimento, eu acho que vai permanecer com Wagner.

O fato de Jaques Wagner não liderar as pesquisas ao governo do Estado deixa o MDB receoso em compor o grupo liderado pelo senador em 2022?

De forma nenhuma. Eu venho dizendo que a nossa decisão vai ser baseada no que for melhor e em quem tiver a melhor proposta. Em quem mostrar condição e capacidade de não só ganhar a eleição, mas administrar a Bahia depois. Inclusive na formação da equipe. Aquele que o MDB vai ter espaço para contribuir com a formulação das políticas públicas e a execução das mesmas, e não simplesmente apoiar por apoiar. O MDB hoje com a situação política que se encontra no estado da Bahia, o MDB já coloca como uma dos facilitadores a ocupar um lugar na chapa. Quer seja de qualquer candidato nós vamos colocar na mesa o pleito. Nós temos nomes para isso e vamos colocar esses nomes na hora de decidir e na hora de discutir.

O ex-secretário Fábio Vilas-Boas contou que o seu ingresso ao MDB é uma via para levar apoio da sigla a Rui e Wagner. Reitera essa fala?

Olhe, da mesma forma que Geraldinho tem dito que ele é uma via para levar o MDB para o lado de ACM Neto. Claro que eu reitero. Não é condição. A moeda de troca não é essa. Até porque seria diminuir muito o partido a filiação, apesar de ser um quadro qualificado e que tem uma eleição garantida, de um apoio à uma chapa majoritária que vai governar a Bahia por quatro anos, portanto decidir os destinos da educação e da saúde dos nossos filhos diretos, por uma candidatura a deputado. Então da mesma forma que Geraldinho é uma via para a gente ir para Neto, da mesma forma que Fábio é uma via para a gente ir para Wagner, da mesma forma que [Coronel Humberto] Sturaro, quando conversa comigo, é uma via - e luta - para a gente ir para João Roma. Isso é natural. Não vejo nada de estranho e de excepcional na frase de se colocar como uma via.

Recentemente, o ex-ministro Sérgio Moro se reuniu com o ex-presidente Michel Temer em busca da criação de pontes para 2022. O nome de Moro agradaria ao senhor na disputa ao Planalto?

Primeiro que não tenho a confirmação de que houve essa reunião. O que sei que houve foram emissários de Moro, nem o próprio Moro, tentando ver se Michel o receberia. E todo mundo sabe que Michel sempre é aquele que conversa com todos em nome do pacto nacional e da união para tirar o Brasil da crise. Aí não é questão de agradar ou não. Tem que agradar a população, os eleitores. Agora eu fico muito feliz quando eu vejo essa procura por Michel ou quando vejo aqui na Bahia nos procurar, procurar Valdemar, procurar o Roberto Jefferson, do PTB, e outros tantos, o Ciro Gomes... o Ciro Gomes teve um problema também, ou seja, mostra que tem muito mais política do que problemas eventuais. Essa do Ciro Gomes é típica. O Ciro Gomes se aflorava sempre a dizer quem é sujo e quem é limpo, agora a ponto de escolher o publicitário dele, o João Santana, que foi o publicitário do presidente Lula, que teve problemas na justiça como muitos tiveram, e não é demérito nenhum ao publicitário João Santana que é competente. Mas no sentido ao pré-candidato Ciro Gomes, por essas contradições que termina com os candidatos caindo nas pesquisas perante a opinião pública. É por isso que tem que ter muito cuidado quando se fala de alguém, porque o que observo aí é que o ruim de ontem é o bom de hoje. E o bom de hoje pode ser o ruim de amanhã. E é o que mais se observa na política e eu fico muito feliz. Por exemplo, o episódio da eleição passada de deputado, quando diziam que não queriam coligar com o MDB, hoje o que vemos é todo mundo querendo coligar com o MDB. Então quem é que mudou? Não mudou o MDB, não mudaram os candidatos, não mudou nada. É a política como ela é.

Como o senhor avalia a união entre o ex-presidente Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin?

Veja bem, o que volto a dizer, uma coisa que no passado era inaceitável e inacreditável, devido ao ataque e a violência que existia entre os dois partidos que foram muito tempo no Brasil os dois polos de poder, o PSDB e o PT. Mas veja por exemplo que até o pré-candidato ACM Neto disse que vê isso como um distensionamento da política, que vê isso como uma busca de solução dos problemas do país. E que, inclusive, não descarta Alckmin ir para o União Brasil para ser o vice de Lula. Entendeu? Então isso faz parte do que eu disse, tem que esperar muito para exaurir os debates. Porque hoje a gente não está sabendo muito como as coisas estão. As coisas estão mudando muito. O que é certo vira errado rapidamente e o que é errado vira certo, então tem que esperar isso começar e ganhar um pouco mais de tempo até para que se case e saiba qual o desejo da população, para se ter uma ideia.

O senhor acha que a candidatura de Simone Tebet vai vingar?

Olhe, toda candidatura a gente só sabe se vinga quando tem a campanha. Ninguém dizia que a candidatura de Bolsonaro iria vingar. Ninguém dizia que a candidatura de Wagner lá atrás iria vingar quando ele foi governador pela primeira vez.

Mas a senadora irá de fato sair a candidata ou ficar pelo caminho?

Ela só vai saber se vai vingar se ela ver que está reunindo condições, agregando apoios e etc. Você vê que a tal terceira via não conseguiu se colocar. Uma hora é Ciro e Ciro cai. Agora é Moro que todo mundo está querendo conversar, mas de concreto hoje se tem Bolsonaro e Lula. Entendeu? O resto, por enquanto, as outras candidaturas é conversa para boi dormir. Qualquer uma. Elas vão ter que se destacar. Pelo preparo da Simone Tebet, pela história dela, por ser uma mulher guerreira, pelo desempenho dela na CPI [da Covid], eu acho que ela é um nome que pode, sim, crescer e se encorpar. Agora ninguém pode dizer que ela irá para o segundo turno e que vai ganhar a eleição. Todas essas candidaturas fora do eixo Bolsonaro e Lula está todo mundo esperando crescer naquele eleitorado que diz que não vota nem em um nem em outro. Só que ela enfrenta o problema que todos esses candidatos enfrentam, como o Doria, o Ciro e o Moro, que é a falta de união, porque Bolsonaro e Lula por si só já têm a grandiosidade e o percentual que os colocam no segundo turno, para que tivesse opção de outro nome teria que unir todos e convencer o eleitorado que essa é a união para se opor à polarização Bolsonaro e Lula.

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