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Comandante da FAB desiste de adiantar saída do cargo e encerra crise

Comandante da FAB desiste de adiantar saída do cargo e encerra crise

Por Igor Gielow/Folhapress

16/12/2022 às 08:37

Atualizado em 16/12/2022 às 08:37

Foto: Divulgação

Carlos de Almeida Baptista Junior

O comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, desistiu de deixar o cargo no dia 23, antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A passagem do comando ocorrerá no dia 2 de janeiro.

Com isso, está encerrado um princípio de crise que pressionou o presidente eleito em uma área sensível, a militar. Os três comandantes de Força haviam combinado deixar o cargo antes, em movimento acertado em uma reunião no Palácio do Alvorada com o recluso Jair Bolsonaro (PL).

Segundo oficiais-generais, o intuito dos militares era o de facilitar o trabalho do governo de transição, abrindo espaço para a escolha célere dos substitutos dos comandantes. O desconfiado entorno de Lula, contudo, não leu o movimento desta forma.

A medida foi vista na transição como um sinal de insubordinação, uma recusa dos comandantes de prestar continência a Lula —que, pela tradição, deverá participar das cerimônias de passagem de cargo. Estratos inferiores da tropa poderiam, numa avaliação compartilhada por ex-ministos da Defesa, se sentirem estimulados a fazer o mesmo.

A reportagem não conseguiu falar com o comandante. Um colega de Baptista refuta essa leitura, lembrando que ele havia afirmado à Folha em janeiro deste ano que prestaria continência ao petista ou a qualquer outra pessoa que fosse eleita no pleito de outubro. Ele também negou a fama de ser bolsonarista, decorrente de suas postagens em rede social.

O estrago, contudo, foi feito. Lula apressou a transição na área e, sem apontar um grupo de trabalho, escolheu o ex-ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio Monteiro como ministro da Defesa, devolvendo o cargo a um civil após quase cinco anos.

Múcio, conhecido como habilidoso e principalmente por não ter sua origem no PTB, distante do PT, foi bem recebido pela cúpula militar. Ato contínuo, o Alto-Comando do Exército e o Almirantado demoveram, respectivamente, o general Marco Antônio Freire Gomes e o almirante Almir Garnier, da ideia de deixar o cargo em dezembro.

Faltava Baptista, que passou a ser pressionado pelos colegas de Força até ceder. Seu sucessor será o mais antigo oficial-general da Aeronáutica, o atual número 2 da corporação, Marcelo Damasceno. Ele foi anunciado por Múcio juntamente com os chefes da Marinha e do Exército.

O brigadeiro foi então às redes sociais elogiar a escolha dos novos comandantes, o que foi visto com alívio pelo governo de transição: estava sinalizado o fim da crise confirmado pela mudança na data de passagem.

Resta agora um outro problema no setor, onde Lula enfrenta resistência devido ao antipetismo da classe e após anos de simbiose tumultuada entre Bolsonaro e os fardados. Comandantes regionais do Exército já receberam a sinalização de que o petista deverá pedir que os militares dispersem os atos antidemocráticos de bolsonaristas que pedem um golpe contra Lula na frente de quartéis pelo Brasil.

Os atuais chefes militares refutam a ideia, tendo emitido nota conjunta considerando os atos legítimos por pacíficos, além de repetir questionamento bolsonarista sobre a rigidez do Judiciário contra os adversários do presidente.

O cenário mudou com a violência registrada em Brasília na segunda (12), quando radicais depredaram a sede da Polícia Federal, uma delegacia e diversos carros após a diplomação do petista. Mas ainda há óbices a considerar acerca da ideia, como a ideia de que Lula colocará o Exército contra adversários políticos.

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