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Tarcísio nega cargos e tem 'nojinho' de bolsonaristas, dizem aliados do ex-presidente

Tarcísio nega cargos e tem 'nojinho' de bolsonaristas, dizem aliados do ex-presidente

Por Mônica Bergamo/Folhapress

07/07/2023 às 06:56

Atualizado em 07/07/2023 às 06:56

Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil

Tarcísio Freitas, governador de São Paulo

O racha entre o núcleo duro do bolsonarismo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já é profundo e se acentuou muito antes das divergências em torno da reforma tributária.

Tarcísio é acusado de ignorar aliados de primeira hora de Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo, negando-se a dar cargos no governo a indicados pelo grupo e, segundo os bolsonaristas, deixando de lado quem o elegeu.

O governador desprezaria pedidos da base bolsonarista apoiados pelo ex-presidente —e até mesmo solicitações feitas pelo próprio Bolsonaro.

Um dos grupos atingidos por esse suposto desprezo de Tarcísio é o do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem base eleitoral em SP.

De acordo com diversos aliados de Bolsonaro ouvidos pela coluna, Tarcísio teria "nojinho" dos chamados bolsonaristas-raiz, mais identificados com o ex-presidente

As áreas da Cultura e da Comunicação são especialmente mencionadas como blindadas por Tarcísio de interferência bolsonarista. Um dos focos do grupo era a TV Cultura, mas o governador nunca interferiu na emissora.

No dia em que a coluna entrevistou Jair Bolsonaro, há duas semanas, em SP, pôde presenciar dezenas de críticas feitas ao governador na frente do ex-presidente. Entre os críticos estavam deputados e vereadores de mais de uma cidade do estado.

Bolsonaro não se somou ao coro dos descontentes –mas ouviu tudo calado, sem esboçar qualquer defesa de seu até então aliado.

Com os atritos em torno das indicações, Tarcísio passou a ser acusado de não fazer o governo de direita que os eleitores de Bolsonaro esperavam.

Os entendimentos dele com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), em torno da reforma tributária teriam sido a gota d'água e deram a Bolsonaro a oportunidade de explicitar seu descontentamento.

Aliados do governador paulista afirmam que ele não tem problemas com indicações de bolsonaristas, mas que os critérios técnicos devem vir sempre em primeiro lugar na hora do preenchimento de cargos importantes.

Jair Bolsonaro também reclama do governador paulista para dirigentes de seu próprio partido, o PL, e debita na conta de Tarcísio parte da responsabilidade por sua derrota à Presidência da República em 2022.

Por este raciocínio, Tarcísio não teria colado sua campanha para o governo com a de Bolsonaro à presidência no estado de São Paulo, dificultando uma vitória avassaladora em São Paulo que permitiria que ele vencesse no âmbito nacional.

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