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Depois de "suar" para obter quórum, governo aprova no limite contas de Rui na Assembleia
Depois de "suar" para obter quórum, governo aprova no limite contas de Rui na Assembleia
Por Política Livre
12/12/2023 às 18:50
Atualizado em 12/12/2023 às 20:57
Foto: Carlos Amilton/Agência Alba

Em uma sessão tumultuada e tensa, os deputados aprovaram na tarde desta terça-feira (12), pelo placar mínimo de 32 votos, as contas do ex-governador Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil, relativas ao ano de 2022.
Os parlamentares aprovaram ainda o requerimento de urgência ao projeto enviado pelo Executivo que autoriza o Estado a contratar empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de US$ 40 milhões, equivalentes a quase R$ 200 milhões, destinados ao programa Bahia Mais Digital. A oposição votou contra as duas proposições.
Mesmo comandando uma bancada de 42, o líder do governo, deputado Rosemberg Pinto (PT), teve uma enorme dificuldade para conseguir o quórum mínimo de 32 parlamentares em plenário. Foram necessários mais de 20 minutos para que esse número fosse alcançado. No final, o quórum foi de 34, mas com a ajuda do oposicionista Hilton Coelho (Psol), que marcou presença. Mesmo assim, dos 33 governistas, um se ausentou ou não se posicionou a favor das contas - a votação foi secreta.
Insatisfeitos com a falta de pagamento das emendas impositivas e com o próprio Rosemberg, que não estaria cumprindo os acordos com os aliados e ficando sozinho com os "louros" das vitórias do governador na Assembleia, muitos governistas ficaram incomunicáveis e "escondidos" nos gabinetes e só apareceram no final da contagem como uma forma de marcar posição. Coube ao líder da oposição, deputado Alan Sanches (União), externar em discurso a queixa que, como apurou este Política Livre, é praticamente de toda a Casa.
"Temos, inclusive, votado a favor de projetos do governo que são bons para a população. É nossa obrigação. Mas chegamos aqui hoje, no dia 12 de dezembro, e o pagamento das emendas impositivas não é cumprido. Falta palavra ou organização. E o governador Jerônimo prometeu que honraria isso", disse Alan.
Em resposta, Rosemberg culpou a "burocracia" do Estado pelo atraso nos pagamentos, e admitiu que os parlamentares da base governista também cobram a regularização. Ele prometeu uma reunião nesta quarta-feira (13) entre os deputados e o secretário estadual de Relações Institucionais, Luiz Caetano (PT), para tratar do assunto.
Uma das ressalvas apresentadas pelos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a contabilidade do último ano de gestão de Rui Costa, aprovadas pela Corte, se refere justamente ao não pagamento das emendas impositivas, cuja obrigatoriedade está prevista na Constituição. Por conta disso, a oposição votou contra o parecer sobre as contas apresentado em plenário por Rosemberg, que pediu a aprovação. Alguns membros da minoria estavam ausentes e não fizeram obstrução ou votaram, a exemplo do líder do União Brasil, deputado Marcinho Oliveira.
No início da sessão, havia a expectativa de que outros projetos fossem votados com dispensa de formalidade, a exemplo do que reestrutura a Defensoria Pública do Estado. Mas nem mesmo a presença dos defensores na Assembleia sensibilizou o líder da oposição, que, diante do não pagamento das emendas, vetou qualquer acordo com o governo.
A deputada Fabíola Mansur (PSB), relatora do projeto da Defensoria, se queixou e iniciou uma discussão com Alan Sanches em plenário. Ela acusou o líder de desrespeitar a instituição, o que foi retrucado veementemente pelo oposicionista. "Gritos de macho não vão me calar", bradou a deputada.
O projeto da Defensoria, bem como outra proposta que tramitam na Casa enviadas pelo Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) devem ser votados nesta quarta (13).
