Home
/
Noticias
/
Mundo
/
Governo Lula silencia sobre decisão de Maduro de proibir opositores de disputar eleição na Venezuela
Governo Lula silencia sobre decisão de Maduro de proibir opositores de disputar eleição na Venezuela
Por Estadão
30/01/2024 às 19:05
Atualizado em 30/01/2024 às 19:05
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quatro dias depois de a ditadura da Venezuela decidir inabilitar a candidatura da principal candidata da oposição, María Corina Machado, para as eleições presidenciais deste ano, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se manifestou sobre a medida, que provocou a reimposição de sanções por parte dos EUA ao governo de Nicolás Maduro.
Outros países da América do Sul, como a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o Equador, condenaram a inelegibilidade da ex-deputada. Já governos de esquerda da Colômbia, com Gustavo Petro, e do México, com Andrés Manuel López Obrador, também optaram pelo silêncio.
Questionado pela reportagem se a diplomacia brasileira pretendia se manifestar sobre a inabilitação de María Corina Machado, o Itamaraty não se pronunciou oficialmente até a publicação desta reportagem. O ministro Mauro Vieira também preferiu não falar.
Reservadamente, no entanto, diplomatas do Itamaraty dizem que a decisão de Maduro é um sinal de retrocesso, mas argumentam que se posicionar oficialmente agora seria precipitado, já que ainda faltam mais de seis meses para a eleição e o acordo de Barbados, que definiu a realização de eleições livres e libertação de prisioneiros políticos em troca do alívio nas sanções, ainda está vivo.
Aliado histórico do chavismo, Lula tem trabalhado desde que retornou à presidência, no ano passado, para reabilitar Maduro na América do Sul. Em maio, recebeu o ditador em Brasília com honras de chefes de Estado, durante a reunião que tentava recriar a União de Nações Sul-Americanas.
A posição de Lula em relação a Maduro na época provocou protestos dos presidentes do Uruguai, Luis Lacalle Pou, de centro-direita, e do Chile, o esquerdista Gabriel Boric.
Acordo de Barbados
Uma avaliação corrente no governo é que os países que mediaram os Acordos de Barbados, assinados em outubro de 2023, deverão ainda trocar contatos entre si, entender toda a situação e buscar ouvir os dois lados. Os acordos foram mediados pela Noruega, com participação do México, Estados Unidos, Barbados, Países Baixos, Rússia e Colômbia.
Na ocasião da assinatura, em 17 de outubro, Lula publicou uma mensagem saudando o entendimento entre opositores e o regime chavista e enviou o assessor especial e ex-chanceler Celso Amorim a Bridgetown. O presidente e interlocutores do governo petista haviam participado de conversas para buscar estabelecer um entendimento.
Lula defendeu o levantamento de sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos - e que agora voltaram a ser aplicadas pelo governo Joe Biden.
Próximo de Caracas, o Brasil teve de agir no fim do ano para aliviar as tensões entre Venezuela e Guiana, depois que Maduro ameaçou anexar a província do Essequibo por meio de ação militar. Após reuniões bilaterais no Caribe em dezembro, a crise esfriou.
A nova embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, ainda não assumiu o posto na capital venezuelana e deve chegar ao país nas próximas semanas.
