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Ex-presidente do Inep sugere uso de IA para criar questões do Enem no futuro

Ex-presidente do Inep sugere uso de IA para criar questões do Enem no futuro

Por Lucas Leite, Folhapress

19/11/2025 às 19:37

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Ex-presidente do Inep sugere uso de IA para criar questões do Enem no futuro

Estudantes durante abertura dos portões no segundo dia do Enem 2025, na zona norte do Rio de Janeiro

A anulação de três questões do Enem 2025 após notícias de que o universitário Edcley Teixeira apresentou, em uma live, perguntas quase idênticas às que caíram na prova, reacendeu o debate sobre a segurança do exame nacional, feito por mais de 3 milhões de estudantes.

De acordo com o estudante de medicina da UFC (Universidade Federal do Ceará), as questões estavam no Prêmio Capes Talento Universitário, uma premiação do Ministério da Educação para calouros que serviria de pré-teste do Enem.

Para Maria Helena Castro, professora e ex-presidente do Inep (instituto federal responsável pelo exame), o pré-teste, embora indispensável para calibrar e testar as questões da prova, envolve muitas pessoas e amplia as chances de quebra de sigilo.

As perguntas do Enem são criadas a partir da TRI (Teoria de Resposta ao Item), uma metodologia que avalia o nível de dificuldade dos itens de forma a tornar diferentes provas comparáveis e identificar quando um candidato acerta uma questão ao acaso, no "chute".

O chamado pré-teste das questões precisa ocorrer em uma avaliação com o público de perfil semelhante ao dos candidatos que realizam o Enem. Nessa etapa são mensuradas a dificuldade, a discriminação e a chance de acerto ao acaso de cada questão.

Em médio e longo prazo, segundo Maria Helena, uma saída seria a criação das questões a partir de inteligência artificial.

"Na minha visão, a questão do pré-teste é um risco muito grande para o Enem. É obrigatório fazer o pré-teste, uma vez que o Enem se baseia na TRI, para desenvolver uma prova que atenda a todas as especificações. Por outro lado, eu creio que todo pré-teste é um risco muito grande", afirma Maria Helena, que chefiou o instituto de 1995 a 2002, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A ex-presidente do Inep ressalta que a fase de teste de questões envolve muitas pessoas e que isso pode, eventualmente, "propiciar um tipo de vazamento".

Não é a primeira vez que o Enem enfrenta problemas. Em 2009, por exemplo, o MEC precisou cancelar toda a prova após o vazamento da prova em uma gráfica às vésperas da aplicação.

Para Maria Helena, reduzir a exposição humana no processo é o caminho para aumentar a segurança, e uma alternativa de médio e longo prazo seria o desenvolvimento de uma inteligência artificial dedicada à criação dos itens.

"Claro que não é uma coisa que o Inep vai conseguir fazer desse ano para o ano que vem. É algo mais demorado, que vai exigir pesquisa e estudos de investimentos. Mas já está acontecendo em outros países e isso diminui o risco de vazamento", explica ela.

A partir da criação dessa ferramenta, as questões seriam modeladas de acordo com o nível de dificuldade recomendado pela TRI e, assim, não necessitando da fase de teste.

A educadora afirma concordar com a decisão do órgão ligado ao MEC de anular apenas 3 das 180 questões do Enem 2025. "O Inep faz um trabalho muito grande para garantir a segurança. Eles devem estar se baseando em informações muito seguras. Então eu não vejo necessidade de anular a prova como um todo por causa dessas três questões", afirma ela.

Procurados pela Folha sobre a segurança do exame, o Inep enviou como resposta um link que redireciona para a nota oficial publicada na terça-feira (18).

Em relação à participação da estudante Edcley Teixeira no prêmio da Capes, a instituição redirecionou o tema para o MEC.

Questionado sobre a segurança e a participação do estudante no prêmio Capes, a reportagem não obteve resposta da pasta de Camilo Santana até a publicação.

ENTENDA A ANULAÇÃO DE TRÊS QUESTÕES DO ENEM 2025

Em uma live nas redes sociais antes do segundo dia do exame, o estudante Edcley Teixeira mostrou ao menos cinco questões que tinham muita semelhança com as que estavam na prova.

O estudante afirma ter previsto as questões presentes no exame nacional seguindo critérios permitidos pela legislação e sem qualquer vazamento.

Após o caso, o Inep afirmou, em nota oficial, que reafirmou a "isonomia, lisura e validade das provas do Enem 2025". O instituto anunciou a anulação de três perguntas da prova e declarou que "nenhuma questão foi apresentada tal qual na edição de 2025 do exame".

"Na divulgação observada nas redes sociais, foram identificadas similaridades pontuais entre os itens", afirma o instituto.

Além disso, o órgão do MEC anunciou que a Polícia Federal foi acionada para apurar o caso e "garantir a responsabilização dos envolvidos por eventual quebra de confidencialidade ou ato de má-fé pela divulgação de questões sigilosas de forma indevida".

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