Diretor do BRB que alertou sobre liquidez do Master renuncia
Por Fábio Pupo/Folhapress
10/02/2026 às 11:35
Foto: Joédson Alves/Arquivo/Agência Brasil
Sede do BRB
O BRB (Banco de Brasília) comunicou ao mercado a renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo ao cargo de diretor jurídico da instituição. A saída do executivo, que terá efeitos a partir do próximo sábado (14), ocorre em meio às investigações sobre a tentativa frustrada de compra de uma fatia do Banco Master pela estatal do Distrito Federal.
Em comunicado sobre a saída, Melo apenas afirmou que vai voltar a atuar integralmente na advocacia tributária. "Solicitei minha renúncia para retomar integralmente minha dedicação à advocacia tributária, considerando, principalmente este período de implantação de mudanças significativas trazidas pela reforma, o que demanda estudo e dedicação aos nossos clientes que deverão se adaptar a nova realidade do mercado nacional."
Melo assinou um parecer jurídico, revelado pela Folha, que recomendava ao BRB atenção aos índices de liquidez do Master, em análise feita às vésperas de o conselho de administração da estatal aprovar o negócio com o banco de Daniel Vorcaro.
O parecer foi assinado quatro dias antes de o conselho de administração do BRB dar aval à compra de 58% do capital total do Master. Ele ressalta que os indicadores de liquidez eram cruciais para a segurança do negócio.
"Há que se ressaltar que a observância do índice de liquidez e do índice de Basileia é crucial nas contratações efetuadas pelas instituições financeiras, pois ambos são indicadores essenciais para garantir a solidez e a estabilidade do sistema financeiro", afirmou o diretor no parecer.
O documento jurídico concluiu que não havia ilegalidades na proposta de aquisição, desde que fossem "observadas as orientações" contidas no texto. Apesar da ressalva, o conselho de administração do BRB aprovou a operação por unanimidade em 28 de março de 2025.
A cautela sugerida pelo diretor jurídico contrastou com o desfecho da instituição privada. O negócio foi vetado pelo Banco Central em setembro de 2025 e, dois meses depois, o BC decretou a liquidação do Master.
Na data da quebra, o banco de Vorcaro possuía apenas R$ 4 milhões em caixa e R$ 22,9 milhões em depósitos no BC, valor que representava menos de 1% do exigido pela regulação. Atualmente, a Polícia Federal investiga o repasse de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito fraudadas do Master para o BRB.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, chegou a afirmar em depoimento que Vorcaro manifestou preocupação com a liquidez durante as negociações, mas defendeu que a operação foi respaldada por análises técnicas de 11 áreas internas do banco.
Participaram da reunião do conselho que aprovou o negócio, segundo ata publicada no site do banco, o então presidente do colegiado, Marcelo Talarico, e os conselheiros Eduardo Aroeira Almeida, Hugo Ferreira Braga Tadeu, Kátia do Carmo Peixoto de Queiroz, Luis Fernando de Lara Resende, Paulo Cesar Pagi Chaves, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa e Ricardo José Duarte Rodrigues.
Talarico e Resende deixaram o conselho no mês passado.
A saída de Melo foi anunciada nesta segunda-feira (9) à noite. Na mesma data, o BRB também comunicou a posse da nova diretora executiva de Controles e Riscos, Ana Paula Teixeira. De acordo com o banco, ela possui trajetória no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de gestão de riscos, controles internos, segurança institucional e cyber segurança do Banco do Brasil, além de ter exercido outras posições de liderança.
