Filho de Luiz Fux teve dados fiscais sigilosos acessados de forma ilegal
Revelação foi feita a partir de rastreamento em sistemas da Receita Federal realizado por ordem de Alexandre de Moraes
Por Carolina Brígido/Estadão
19/02/2026 às 20:30
Foto: Divulgação/Via Escola
O ministro do STF, Luiz Fux, ao lado do filho Rodrigo Fux
O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, teve informações fiscais sigilosas acessadas de forma ilegal pela Receita Federal. Além dele, a esposa de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e a enteada de Gilmar Mendes tiveram dados consultados irregularmente.
A descoberta foi feita a partir da ordem de Moraes para a Receita rastrear seus sistemas e descobrir a origem de eventuais vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e parentes deles. A apuração está sob sigilo e foi inserida no inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques a integrantes do tribunal.
O resultado parcial do rastreamento foi confirmado pelo jornal O Estado de São Paulo com fontes que tiveram acesso à investigação. O caso do filho de Fux foi divulgado inicialmente pelo Metrópoles. Ainda segundo essas fontes, foram acessados de forma ilegal dados de cerca de cem pessoas. Procurado, o STF não se manifestou sobre as novas revelações do caso.
De acordo com o Supremo, quatro servidores foram alvo de uma operação da Polícia Federal na última terça-feira, 17: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.
Eles foram proibidos de exercerem função pública e de ingressarem nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Receita Federal. Também estão impedidos de acessar as bases de dados dos dois órgãos. Os suspeitos também tiveram os passaportes retidos. Mansano foi demitido de um cargo de chefia, conforme publicado no Diário Oficial desta quinta-feira, 19.
Parte do STF está incomodada com a ordem de rastreamento nos sistemas da Receita. Segundo ministros aliados a Edson Fachin, essa determinação deveria ter sido feita pelo presidente do tribunal, e não por Moraes.
