Ricardo Alban faz apelo por responsabilidade fiscal e união nacional
Por Redação
24/02/2026 às 11:26
Foto: Gilberto Sousa / CNI
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, fez um pronunciamento ao abordar os desafios econômicos e políticos do país. Em discurso direcionado a empresários e representantes do setor produtivo, Alban defendeu união nacional, responsabilidade fiscal e menos populismo nas decisões públicas.
Logo no início da fala, o dirigente ressaltou que o Brasil precisa superar divisões ideológicas e enfrentar seus problemas estruturais.
“Não dá mais para conviver com ‘nós e eles’, não dá mais para que a ideologia política se sobressaia ao interesse maior, ao interesse do país”, afirmou.
Alban criticou o histórico de estagnação do Brasil no cenário internacional. Segundo ele, o país há décadas é chamado de “país do amanhã”, enquanto outras nações avançaram economicamente. “Quantas nações passaram na nossa frente? Vários motivos, e nós patinando, literalmente patinando”, declarou.
O presidente da CNI destacou a elevada carga tributária e o aumento contínuo de custos como entraves ao crescimento. Para ele, a conta das decisões fiscais e econômicas acaba recaindo sobre a população consumidora.
“Quem vai pagar essa conta? Não é a empresa, não é o setor produtivo, não são os super ricos. Vai pagar essa conta a população consumidora, que sempre paga”, afirmou.
Alban também criticou o chamado “custo Brasil”, mencionando juros elevados, energia cara e baixa competitividade internacional. “Produzimos energia mais barata do mundo e temos o custo mais caro do mundo. Como é que podemos competir?”, questionou.
Em outro trecho, Alban comentou discussões sobre mudanças na jornada de trabalho, citando propostas de alteração do modelo 6 por 1. Ele afirmou ser pessoalmente favorável ao modelo 5 por 2, mas ponderou que o país, no atual cenário fiscal, não teria condições de absorver novos custos sem comprometer ainda mais as contas públicas.
O dirigente também fez críticas ao crescimento das despesas públicas, especialmente com folha de pagamento, e à criação de benefícios que ampliem gastos sem contrapartida clara de produtividade ou arrecadação.
“Não dá mais para o populismo. Precisamos enfrentar seriamente o problema fiscal e a estrutura política cada vez mais pesada. O Estado brasileiro não é compatível com o tamanho da nossa realidade”, declarou.
Ricardo Alban reforçou que não existe desenvolvimento social sem crescimento econômico, e que o fortalecimento da indústria é essencial para sustentar esse avanço.
“Não existe no mundo nenhuma economia que garantiu desenvolvimento social sem crescimento econômico, e não existe crescimento sustentável sem o fortalecimento da indústria”, afirmou.
Segundo ele, a indústria deve ser vista como catalisadora do desenvolvimento nacional, ao lado de outros setores estratégicos como serviços, transporte e sistema financeiro.
Ao final, Alban defendeu maior transparência, ética e responsabilidade nos setores público e privado. Ele sugeriu a discussão aberta de códigos de ética e reforçou que não será mais possível “jogar poeira debaixo do tapete” diante da gravidade do cenário fiscal.
“Precisamos pensar nos nossos filhos, nos nossos netos, no amanhã. Que Deus não seja apenas brasileiro, mas que Deus nos ilumine”, concluiu.
